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segunda-feira, 24 de março de 2008

ALGUMAS LEMBRANÇAS SEXUAIS DE LIVRAMENTO

Se os mineiros só são solidários no câncer, os santanenses só o são nas sacanagens sexuais. E nas sexuais só, sejamos explícitos.
Se os homens nunca precisaram se resguardar muito, pois lá se vivia num saudável ambiente machista, das mulheres se exigia que fizessem as suas sacanagens no mais absoluto decoro.
Para isto muitas delas tinham de inventar viagens, para visitar a tia Cocota, uma avó doente, um especialista na capital e por aí vai.
Ocorre que em Porto Alegre existia um bar que era para a mais pura caçação (É assim que se escreve?).
Numa bela noite outonal, um senhor casado, de ilibada reputação, resolve dar uma saidinha, sozinho, para assuntar um pouco da noite da capital.
E se tocou para o tal bar. Em lá chegando, dá de cara com uma destas figuras insignes do
impolutismo matriarcal rural.
Passado o primeiro impacto do encontro, a senhora abre-se num sorriso e diz:
-Fulano! Que surpresa! Viestes para o aniversário da Beltrana?
Ao que prontamente ele respondeu.
-Sim! Tinha ouvido falar que iam fazer uma festa surpresa para ela, e eu resolvi passear por uns bares para ver se achava vocês!
-Que bom! Nos achastes de cara. Vêm prá mesa!
E lá ficaram todos libando por um aniversário que não existia, mas que serviu para a construção de pontes bem interessantes.
Claro que tudo ficou em sigilo. Aquele sigilo do tipo:
“Olha, eu vou te contar, mas não me conta prá ninguém, porque se não vai ser um escândalo.”
Contaram, é lógico, e quem ouvia sempre dizia.
–Esta é velha, já sabia há muito tempo!
Pois, como se sabe, santanense sempre sabe de tudo.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

FANTASIAS SEXUAIS IV

Tinha uma conhecida minha cuja fantasia era fazer uma ménage a trois com o marido e outra mulher. Chegou a falar para o marido, que não se importou, mas que ficou naquela de não vou fazer força nenhuma para acontecer.
Fantasiava que, ora era ela que estava com a mulher e depois chegava o marido. Que chegava em casa e estava o marido com outra. Que numa festa, numa praia, numa viajem, num cruzeiro de navio, pintava um clima, uma ocasião.
A excitava as imagens que ela criava, dela com a outra, dela com o marido e a outra assistindo, dela sendo tocada pelos dois e por aí afora.
Me contou que finalmente um dia fez ménage acontecer.
Num happy hour conversava com uma amiga, as duas com algumas champanhotas na cuca quando aquela lhe confidenciou que tinha vontade de fazer algo pelo estilo. Mas tudo na base da teoria.
Nada disse, mas guardou no caderninho dos lembretes mentais.
Um dia estava com a, agora, amiga em casa, quando uma centelha mental se acendeu. É hoje!

Sob o pretexto de tomarem alguma coisa, buscou uma tequilla (qualquer dia destes vou escrever sobre o fenômeno tequilla x sexualidade) e preparou-a no esmero. E tomaram uma, e tomaram duas, e três; quando o marido chegou em casa as duas já estavam de pilequinho.
Aí, naquele ambiente de euforia alcoólica, começaram a falar em experiências sexuais, em vontades, fantasias, dali a pouco foi um toque semquererquerendo. Resultado acabaram os três na cama.

Segundo ela foi bom. O marido e a amiga disseram também que fora bom, mas puseram a culpa na tequilla. Por ela repetiria a experiência, mas não sentiu clima, por parte do marido.
Se se sentiu homossexual, ou fazendo algo homossexual? Não! Sentiu apenas que estava fazendo uma sacanagem, no bom sentido da palavra.

sábado, 19 de janeiro de 2008

AVENTURAS BURLESCAS E SEXUAIS


Está chegando o Carnaval e com ele vão se atiçando as fantasias de quem ainda o curte e de lembranças de quem já o curtiu. Enquadro-me entre os últimos.
Lá no início dos anos 70, numa viagem dos meus pais, fiz uma festa na minha casa em Livramento, cobrei entrada e com o dinheiro ganho fui para o Rio (Ou seja, se tivesse sido empresário da noite talvez estivesse rico.).
Em lá chegando, no Rio, é óbvio, ó desatentos, fui para a casa de um tio que aprontava todos. Pelo cargo que exercia pululavam em sua mesa convites para as mais diversas festas. Ele selecionou as VIP’s para ele e me deu o resto.
Mas o filé mignon (Ô seu Aldo, como é que é filet mignon em português?) seria proporcionado por um primo meu que trabalhava na Globo e era o selecionador das candidatas a chacretes.
De sobremesa tinha um outro primo meu que se fantasiava de repórter fotográfico da revista Manchete, que era o up-to-date da cobertura dos folguedos momescos e que também servia algumas iguarias finas, para quem, na época, achava que ética era faturar o máximo possível de mulheres, para deixa-las felizes (Pretensão e água benta cada um usa quanto quiser.).
Dados os prolegômenos, vamos aos detals, como diríamos na minha Macondo quando se queria bancar o malandro (Hoje seria ixperto.).
As festas do meu tio foram um tiro n’água. Não é à-toa que ele refugou os convites que me deu. Festas para um bando de coroas (Agora me flagro que eram mais moços do que eu sou hoje. A relatividade, Ah! a relatividade das coisas e dos tempos.). Talvez aproveitasse eu mais, se não fosse o fato de que eu fora ao Rio em busca de festas com Musas. Na única em que eu entrei e pensei; -Oba, nesta eu vou me dar bem! Pois tinha um monte de mulher gostosa com pouca roupa. Foi a maior zebra, o maior mico. Uma festa de travestis, da qual saí o quanto antes. Já imaginaram, eu, um baita machão de Sant’Anna do Livramento, num baile de travecos? Era coisa de eu me mudar para Zanzibar ou para uma ilhota perdida no meio do rio Uruguay.
Já com meu primo da Globo a coisa foi de fazer o Calígula babar de inveja. Gente, o que o mulherio fazia para ter a chance de fazer um teste, só o teste, vocês não imaginam. Coloquem mais adereços nos vossos pensamentos porque eles são pobres, paupérrimos frente à realidade que me deparei.
Finalmente, o meu primo que se fantasiava de fotógrafo da Manchete me proporcionou momentos hilários. É lógico que fiquei ali só de olhante. Mas valeu a pena. As gostosonas, as popozudas, as cachorras (Tenho de atualizar o meu vocabulário se não vão começar a me designar como velho, o que obviamente eu não sou!) quando o viam adentrar no salão enlouqueciam.
Mostravam tudo que podiam mostrar, davam show (perdão seu Aldo), eram todas sorrisos e afetos para ele. Às mais atraentes ele pedia o telefone, ou melhor, mandava passar no apartamento (ele chamava de estúdio) para fazerem mais fotos, para o caso daquelas não terem ficado boas. Dizia, é lógico, que levassem a fantasia junto. Infelizmente da seqüência eu não participava. Era tudo gente fina de Sírio-Libanês para cima. Mas todas tinham o sonho de figurar nas páginas da Manchete (Justiça seja feita ao meu parente. Ele nunca disse que era fotógrafo da Manchete e nunca prometeu por alguém nas páginas da revista.), nem que para isto tivessem que dar, e davam, não importava marido, família, status social.

Ah! A Vaidade Humana, quanta concupiscência ocorre graças a ti! Quanta luxúria saciada!