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quarta-feira, 5 de maio de 2010

FALEMOS UM POUCO DE SEXO

Capítulo II


As coisas foram mudando aos poucos. Algumas audazes começaram a surgir. Mas eram ainda poucas. Exceções. A diferença de idade também ajudava, pois as mulheres das novas gerações não tinham contato com a maior parte da nossa geração machística.
Depois casei, me aquietei. Ouvia falar disto e daquilo, mas eram apenas comentários. Nenhuma mulher me peitava para algo mais explicitamente sexual.
Até que um dia... Fui buscar meu filho, com 14 anos à época. Jogava futebol e na arquibancada havia um grupo de meninas da mesma faixa etária. E elas torciam, faziam comentários bem desabridos. De repente um dos guris dá uma furada. Elas o apupam. Ele reage levando a mão ao saco. Uma delas responde, seguida em coro pelas outras. –Não tem nada aí e se tiver não funciona!
Naquele dia me dei conta de que as coisas haviam mudado para valer.
Pensei. –Pobre destes guris! E passei a me preparar para lidar com isto no consultório.

domingo, 8 de março de 2009

EU (quase) SESSENTÃO E O GENERAL DO EXÉRCITO MORTO

Sou fã de um escritor albanês chamado ISMAIL KADARÉ. Escreveu sob uma das mais rígidas ditaduras que se tem notícia, a de Enver Hoxha, que dominou tirânica e absolutamente a Albânia de 1944 até a sua morte em 1985. Aos incautos de plantão Hoxha vendia a idéia de que a Albânia era um modelo a ser seguido. O mais perfeito socialismo, com todas as suas vantagens, era ali que vicejava. A Albânia vivia isolada do mundo. A Albânia vivia ameaçada por um mundo que a invejava e que por isto a queria destruir. Quem lê Ismail tem a impressão que ele escreve a respeito disto. Em realidade sempre escreveu sobre ele e sobre pessoas como ele que sentiam a necessidade intrínseca de sobreviver como indivíduos dentro de um contexto social, mas tendo direito a sua individualidade. Não queria ser sufocado pelo coletivismo, que não hesitava inclusive em matar, se necessário fosse, para abafar qualquer coisa que se assemelhasse a uma aspiração pessoal.Conheci-o através do livro Os Tambores da Chuva. Depois vieram muitos outros.
SEGUE

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

FANTASIAS SEXUAIS

Uma gentil donzela sonhava um dia fazer amor com o seu príncipe encantado, apresentando-se a ele nua, tendo como adereço um enorme laço de fita e um balão vermelhão (daqueles com gás - sabe-se lá o que isto significava).
E foram inúmeras as noites de amor, horas de prazer, de enlevo erótico.
Um dia, armada de coragem, realizou-a. E pela primeira vez na vida teve um orgasmo.
Mas o marido achou frescura, que aquilo não era coisa pra mulher dele e não aceitou mais repetir.
Pergunto-me? Aceitará ela, ad eternum, esta proscrição do seu desejo, para manter-se junto àquele a quem se prometeu na alegria e no sofrimento até que a morte os separasse, quem sabe até além dela?
Ou irá ela cair na gandaia e aproveitar esta vida, que é a única garantida e é limitada no tempo.
Não tenho eu, senhores e senhoras, razão para estar aflito frente a tão magnífica dúvida?

terça-feira, 2 de outubro de 2007

HOMENS FINGEM O ORGASMO

Esta é outra destas histórias que a gente é induzido a ler como se novidade fosse.
Os homens sempre fingiram ter um orgasmos, pelos mais distintos motivos. Só não vou dizer que todos fingiram um orgasmo alguma vez na vida, porque, em termos de conduta humana, não me agradam números absolutos.
Talvez agora, em tempos de Viagra (que as vezes até impede que o cara tenha o seu orgasmo), a coisa tenha se exacerbado. Mas sempre existiu. Pelo menos lá em Livramento.
Aliás, qualquer dia destes vou escrever algo do tipo
"Confiesso que presencié, en Livramento". Te cuida Neruda.