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terça-feira, 10 de março de 2009

EU (quase) NOS SESSENTA E O GENERAL DO EXÉRCITO MORTO - Parte III

Hoje não estamos mais com um pé na cova; trabalhamos, transamos, viajamos, praticamos esportes, dançamos, namoramos, dentro dos limites físicos possíveis e da aceitação dos demais.
Não me sinto um velho, não me sinto triste ou revoltado por fazer sessenta anos. Mas não deixo de enfrentar os meus conflitos internos. Tenho partes, setores, aspectos, que têm 12, 18, 30, 40, 50, 60, 70 anos e por aí vai. E às vezes há brigas feias. Das de tiro e punhalada. Conflitos generalizados ocorrem de tempos em tempos. Em geral criados pelos setores mais jovens, que não aceitam as limitações dos mais velhos, que lhes acabam impondo limitações de vez que são todos eles interligados como gêmeos siameses. Eu me vejo, ao recordar, recolhendo corpos, ou sentimentos, que um dia foram vivos e que hoje, cobertos pela pátina dos tempos, são quase que irreconhecíveis. Mas que um dia foram vivos, palpitantes, despertadores de emoções e sentimentos.
segue

domingo, 8 de março de 2009

EU (quase) SESSENTÃO E O GENERAL DO EXÉRCITO MORTO

Sou fã de um escritor albanês chamado ISMAIL KADARÉ. Escreveu sob uma das mais rígidas ditaduras que se tem notícia, a de Enver Hoxha, que dominou tirânica e absolutamente a Albânia de 1944 até a sua morte em 1985. Aos incautos de plantão Hoxha vendia a idéia de que a Albânia era um modelo a ser seguido. O mais perfeito socialismo, com todas as suas vantagens, era ali que vicejava. A Albânia vivia isolada do mundo. A Albânia vivia ameaçada por um mundo que a invejava e que por isto a queria destruir. Quem lê Ismail tem a impressão que ele escreve a respeito disto. Em realidade sempre escreveu sobre ele e sobre pessoas como ele que sentiam a necessidade intrínseca de sobreviver como indivíduos dentro de um contexto social, mas tendo direito a sua individualidade. Não queria ser sufocado pelo coletivismo, que não hesitava inclusive em matar, se necessário fosse, para abafar qualquer coisa que se assemelhasse a uma aspiração pessoal.Conheci-o através do livro Os Tambores da Chuva. Depois vieram muitos outros.
SEGUE