Hoje não estamos mais com um pé na cova; trabalhamos, transamos, viajamos, praticamos esportes, dançamos, namoramos, dentro dos limites físicos possíveis e da aceitação dos demais.Não me sinto um velho, não me sinto triste ou revoltado por fazer sessenta anos. Mas não deixo de enfrentar os meus conflitos internos. Tenho partes, setores, aspectos, que têm 12, 18, 30, 40, 50, 60, 70 anos e por aí vai. E às vezes há brigas feias. Das de tiro e punhalada. Conflitos generalizados ocorrem de tempos em tempos. Em geral criados pelos setores mais jovens, que não aceitam as limitações dos mais velhos, que lhes acabam impondo limitações de vez que são todos eles interligados como gêmeos siameses. Eu me vejo, ao recordar, recolhendo corpos, ou sentimentos, que um dia foram vivos e que hoje, cobertos pela pátina dos tempos, são quase que irreconhecíveis. Mas que um dia foram vivos, palpitantes, despertadores de emoções e sentimentos.
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