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segunda-feira, 22 de março de 2010

Mais uma complementação para o Calígula



Meu caro Sean, mas para os meus outros leitores também.
Não acho que as cenas das orgias, ou de violência gratuita, ou do circo de horrores do Tibério, estejam fora de contexto. Pelo contrário. Este era o contexto. A sua brutalidade não permite intelectualizações. Elas são o Id, na sua total falta de sutilezas. Sutilezas não descreveriam o que foi o reinado do Calígula.

domingo, 21 de março de 2010

Meu caro Sean.
Vou dar a resposta, a ti, aqui no blog mesmo.
O comentário do Sean, queridos leitores, vocês podem ler integralmente no “comentários”.
Vi o filme na época da ditadura também. Também tive a mesma impressão que tu. Só que na época havia também um sentimento de vitória em ve-l0, por conta da diminuição da censura, assim até gostei um pouco.
Agora, que vejo o filme longe daquelas conjuntura, posso ver outros aspectos.
As cenas das orgias, da forma que foram apresentadas, me parecem absolutamente necessárias. Primeiro porque não mostram sexo. Mostram depravação, desrespeito, poder e submissão, a
perda de parâmetros. Não têm uma filosofia, uma ideologia, pelo menos lato senso, em que se apoiar. Mostra o ser humano despido do seu verniz social, governado apenas pelos seus instintos. Cenas de sexo, propriamente dito, só nas cenas iniciais dele, Calígula, com a irmã.
O filme foi produzido pelo dono da Hustler (Não era do grupo Play Boy, que era muito mais light.), que foi a revista que mostrou cenas sexuais em toda a sua nudez e crueza. Aliás ele foi processado e ganhou o processo (Da Hustler).
Tem um filme baseado neste episódio.
Existe uma cena neste filme que acho emblemática da hipocrisia humana e da rudeza da não hipocrisia. Pedem para ele jurar sobre a Bíblia que vai dizer a verdade, só a verdade, etc. e tal. Ele responde que não deve fazer isto, pois não acreditava em Deus e muito menos no conteúdo da Bíblia. Por conta disto, não se sentiria obrigado a dizer a verdade. O juiz aceitou a sua argumentação.
Portanto, tirando um, ou outro, momento, o filme não mostra sexo, e sim o desvario humano em torno do sexo, como também da ambição, da inveja, da prepotência, etc. Enfim estes “defeitos de caráter” que a gente vê nos outros, mas dos quais, felizmente, cada um de nós se imagina estar livre.
Acho que vale a pena rever o filme tantos anos depois e ver se a visão, a opinião, da gente mudou ou permanece nos anos 80.
Um abração.

sábado, 20 de março de 2010

FILMES

Assisti Fita Branca e tive certeza que ganharia o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Depois assisti ao argentino O Segredo dos Seus Olhos. Minha convicção ficou abalada.
Fiquei deslumbrado com o espetáculo coreográfico de Avatar. Mas depois de ver Guerra ao Terror achei este último mais profundo, humano e, principalmente, capaz de tocar em camadas mais íntimas do ser humano, sem idealismos e sonhos.
Finalmente revi O Ovo da Serpente e Calígula. Aquele, junto com a Fita Branca, dá uma prévia de como uma hecatombe se forma. (Também isto aparece, na literatura, em Guerra e Paz do Tolstoi.).
Já, em Calígula, vi o que a maturidade e as experiências da vida fazem para que se tenha uma outra visão da vida. Onde eu mais jovem, moralistas & afins, viam só depravação, sexo ensandecido, vi a loucura em sua mágica extensão. É impossível entender o reinado de Calígula se não compreendermos o que é a Loucura, com a sua necessidade de Poder, de Sadomasoquismo, da obrigação de uma Ordem, louca, mas ainda ordem.
Não se pode fazer um filme sobre Hitler sem o Holocausto. Não dá para fazer um filme sobre Stalin sem os seus “gulags”. Ou sobre Mao sem os seus trinta milhões de mortos, de fome, por
conta dos planos qüinqüenais. E por aí vamos. Calígula é um filme corajoso, adiante de seu tempo. Para alguns, talvez não passe de uma sucessão de orgias. Para mim, é toda aquela luta que os indivíduos travam para subir e terem uma falsa sensação de poder. Tudo foi sendo tolerado. Apenas quando avança nas propriedades físicas dos romanos é que estes efetivamente se revoltam e acabam assassinando-o. Ter sempre foi confundido com Poder. Isto é ilusório. Mas vá a gente tentar convencer os outros disto. E, às vezes, até a gente mesmo.

domingo, 21 de outubro de 2007

HISTÓRIAS SEXUAIS de SANT'ANNA DO LIVRAMENTO IV

Naevius Sutorius Macro foi uma espécie de Jose Dirceu (do governo Lula), no final do governo de Tibério.
Acertadamente julgou que Calígula seria o sucessor. Para garantir o seu lugar junto ao futuro imperador, passou a lhe puxar o saco. Mais ainda, induziu que sua esposa e Calígula se tornassem amantes.
Dizem que teria dito à esposa, “sejas a mais selvagem e devassa amante do mundo” (Quem souber a frase em latim, por favor, não se acanhe, mande-ma.).
Com isto, gozou dos favores de Calígula por mais algum tempo. Depois, como soia acontecer com quem ficava perto do Imperador, perdeu a cabeça, juntamente com a mulher.
Pois Sant’Anna do Livramento também teve um caso semelhante.
Um personagem, cujo nome e profissão nem ouso mencionar, querendo crescer na vida, usou do mesmo ardil.
Como Livramento não tinha um imperador, e sim vários reizinhos, puxou o saco de um monte de gente e fez da mulher amante de vários.
Fazendeiros, gerentes de banco (Que na época, no interior, tinham muita força econômica.), pessoas influentes, grandes negociantes, eram os escolhidos para ele fazer negócios, serem seu fiador, avalista, e outros quejandos da vida.
Só que ele aprendera com a História.
Lá pelas tantas, guaiacas cheias de dobrões de ouro, se dando conta que, mais cedo, ou tarde, seria desmascarado, como tortuga de algibe esperou o golpe do balde.
Este veio sob a forma d’um tipo se apaixonou pela mulher. Ele, então, vendeu tudo que podia vender, passou adiante os compromissos que podia passar e picou a mula.
Deixou um monte de gente com o freio, mas sem o cavalo, na mão. A mulher perdeu todo o charme de ser um caso e foi ele viver a vida lá sabe donde.
Ou seja História é Cultura e Livramento tinha muita gente culta.