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sábado, 20 de março de 2010

FILMES

Assisti Fita Branca e tive certeza que ganharia o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Depois assisti ao argentino O Segredo dos Seus Olhos. Minha convicção ficou abalada.
Fiquei deslumbrado com o espetáculo coreográfico de Avatar. Mas depois de ver Guerra ao Terror achei este último mais profundo, humano e, principalmente, capaz de tocar em camadas mais íntimas do ser humano, sem idealismos e sonhos.
Finalmente revi O Ovo da Serpente e Calígula. Aquele, junto com a Fita Branca, dá uma prévia de como uma hecatombe se forma. (Também isto aparece, na literatura, em Guerra e Paz do Tolstoi.).
Já, em Calígula, vi o que a maturidade e as experiências da vida fazem para que se tenha uma outra visão da vida. Onde eu mais jovem, moralistas & afins, viam só depravação, sexo ensandecido, vi a loucura em sua mágica extensão. É impossível entender o reinado de Calígula se não compreendermos o que é a Loucura, com a sua necessidade de Poder, de Sadomasoquismo, da obrigação de uma Ordem, louca, mas ainda ordem.
Não se pode fazer um filme sobre Hitler sem o Holocausto. Não dá para fazer um filme sobre Stalin sem os seus “gulags”. Ou sobre Mao sem os seus trinta milhões de mortos, de fome, por
conta dos planos qüinqüenais. E por aí vamos. Calígula é um filme corajoso, adiante de seu tempo. Para alguns, talvez não passe de uma sucessão de orgias. Para mim, é toda aquela luta que os indivíduos travam para subir e terem uma falsa sensação de poder. Tudo foi sendo tolerado. Apenas quando avança nas propriedades físicas dos romanos é que estes efetivamente se revoltam e acabam assassinando-o. Ter sempre foi confundido com Poder. Isto é ilusório. Mas vá a gente tentar convencer os outros disto. E, às vezes, até a gente mesmo.