Mostrando postagens com marcador cesariana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cesariana. Mostrar todas as postagens

domingo, 13 de janeiro de 2008

A MINHA CONCLUSÃO E OPINIÃO - Parto Vaginal ou Cesárea - O Epílogo - UFA!

Acho que, hoje em dia, a não ser em casos bem específicos a escolha entre parto natural e cesariana deve ser feita pela paciente e pelo médico, tendo o direito, a paciente, de trocar de médico se a postura daquele em relação ao tipo de parto não a satisfizer, não havendo uma razão médica que a justifique de maneira praticamente insofismável.

Notinha de rodapé. No início dos anos 80, aqui em Porto Alegre ainda se discutia da validade, ou não, do parto com analgesia, ou não. Íamos ter o nosso primeiro filho e fomos consultar uma obstetra de alto renome. Ela foi incisiva. Parto sem analgesia. “É importante para a vivência da mãe e para a ligação dela com o filho!”
Trocamos de obstetra, a ligação mãe filho é ótima, o “guri” é uma maravilha (Coisa de pai coruja, mas me dou a este direito neste blog.), e o parto não se transformou em experiência de flagelação.

Parto Vaginal ou Cesárea - UM ADENDO

Dois colegas a quem submeti o texto acharam que eu deveria também lembrar que, nesta disputa, entram em jogo mais fatores econômicos digladiantes.
Quem paga o parto (Convênios em geral, mas pode ser a pessoa física particular.) tem interesse que este seja o mais barato possível, que neste caso é o parto via vaginal. Quem recebe pelo parto, hospitais, fornecedores, tem interesse que se gaste mais. Uma cesariana, costumeiramente, envolve mais pessoal técnico. Só não sei como isto afeta a indicação. Se para mais partos via vaginal, ou para as cesarianas. No que diz respeito a médicos particulares, os honorários, em alguns casos, passaram a ficar semelhantes, quer num tipo de parto, quer noutro, de vez que passaram a cobrar por hora de assistência no parto vaginal.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

CESÁRIA ou PARTO VAGINAL - Explicação número IV

Durante muitos anos se esgrimiu o argumento de que embora a cesárea não doesse na hora, doeria mais do que o parto vaginal com a episiotomia (Corte que se faz na vagina para alargar o canal vaginal e com isto poupar um pouco a musculatura da vagina.) a posteriori.
Tenho reparos a fazer: A anestesiologia progrediu muito nos últimos anos. Surgiram novas técnicas de analgesia. E, principalmente, os médicos começam a perder o medo de usar analgésicos em doses mais generosas (Só a título de ilustração: Deixava-se para usar a morfina só para situações de dores intensíssimas ou casos finais. Hoje isto mudou muito. Perguntaram ao Nelson Piquet se ele havia sofrido muito com as dores depois do seu acidente nos EUA. – Que nada! Passei aquele período voando, porque me deram tanta morfina que, além de eu não ter dor, vivia num constante bem-estar eufórico – a frase pode não ter sido exatamente esta, mas o sentido sim. Ficou “viciado”? Aparentemente não. Dizem alguns que, em algumas situações, não se cria a dependência e, dizem outros, que só fica dependente quem tem a tendência à dependência. Não assino embaixo de nenhuma destas teses por que não tenho conhecimento suficiente para faze-lo.) Hoje conheço várias mulheres que me relataram que, tanto no parto vaginal, como em cesáreas, não sofreram praticamente dor nenhuma, quer na hora, quer no pós-imediato por conta de uma analgesia bem conduzida.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Cesária ou Parto Vaginal - Explicação número III

Uma família de classe média, ou alta, nos dias de hoje tem em média dois a três filhos. Portanto não sofrem muito, ou mesmo não sofrem, com a idéia de que a cesariana iria limita-los no número de filhos.
Portanto, sob este aspecto, cesárea, ou parto vaginal, para eles não faz grande diferença.
Com a abertura do abdômen na cesárea na altura dos pelos pubianos, que torna a cicatriz quase invisível, deixa de existir um dos problemas que inibia as mulheres de quererem uma cesariana, ou seja a enorme, às vezes grotesca, marca.Ou seja, mais dois elementos pró-parto vaginal que são anulados.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

CESÁRIA OU PARTO VAGINAL - Explicação número II

Dizem que a mortalidade e a morbidade (problemas) são maiores entre as pacientes que se submeteram à cesárea. Nos poucos trabalhos que li estas diferenças são mínimas. Tão mínimas que me pergunto se não existirá aí um viés metodológico? Até porque os trabalhos não especificam os detalhes do atendimento. Números gerais podem ser extremamente enganadores. Principalmente no que diz respeito a classes sociais, preparo emocional pré-parto, tipo de atendimento paramédico das instituições.
Trabalhos científicos muitas vezes ajudam a criar regras que, se ideais na teoria, podem não o ser na prática, ou são inaplicáveis.
Um exemplo da área não obstétrica.
Num hospital universitário, uma mãe estava acompanhando a filha que saia de um coma pós-traumático. Para entrar no quarto, chegar na criança, era todo um ritual de assepsia e um protocolo de procedimentos muito rigorosos. Pois lá pelo terceiro dia a mãe, furiosa, chama a Enfermeira Chefe. Acabara de matar uma baratona. No meio da discussão, mais pra bate-boca entre as duas, uma outra barata desfila airosamente sobre uma das brancas paredes... Fim da discussão.
No item morbidade não vi números significativos a diferenciar uma da outra. Em compensação, não vi em tais trabalhos referências a sensação de prazer, de segurança, de satisfação, de gratificação, ou regojizo, ou seja, elementos da área emocional, subjetivos prazerosos. A avaliação parece não levar em conta estes fatores. Agora, ponto inflamado lá está. 1% a mais nas cesariadas, num dos trabalhos que li.
Fiquei impressionado com a pouca quantidade de trabalhos acadêmicos (não só na Medicina) que levam as palavras prazer, satisfação, gozo, etc., no seu título. Parece até que pesquisar, estudar, algo neste campo é até demeritório. E muitos dos trabalhos sobre prazer e felicidade nos remetem ao Dr. Freud, que, como todos nós sabemos, morreu em 1939.
Ou seja, quem dá aulas em ambiente acadêmico parece, digo, parece, não estou lá para ver, que valoriza muito mais o sofrimento, os problemas, do que os prazeres. Pelo menos em tese.
Daí ensinarem mais sobre os problemas, evitação de problemas do que como satisfazer mais o paciente de uma maneira mais global, mesmo que seja à custa de 1% a mais de pontos inflamados.
Sugiro darem uma olhada nos comentários dos post's anteriores.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Parto Vaginal ou Cesárea - Explicação número I

Explicação número I.
Um professor de faculdade muitas vezes é alguém com dedicação exclusiva, que trabalha muito em pesquisas, num ambiente que se poderia chamar de “ambiente de laboratório”, com muitas variáveis razoavelmente controladas, é um acadêmico, às voltas com problemas acadêmicos e ligados às regras da Academia. A realidade que vive é bem diferente de um médico “comum”; com seu consultório particular, com clientes que ele, médico, deve conquistar.
Ele tem uma rede de proteção gerada por uma série de elementos – residentes, auxiliares, sub’s alguma coisa, enfermagem especializada, outros serviços para-médicos, etc. . Tem uma instituição que lhes drena pacientes constantemente.
Os pacientes que ele atende são, na sua maioria, pacientes da instituição. Tanto que é comum ouvir-se: “A paciente do 34”. “A paciente da eclampsia.”
O vínculo médico paciente que é sempre exaltado não me parece ser dos mais fortes, pois canso de perguntar no meu consultório. -Quem fez o seu parto? Não me lembro bem doutor. Foi um gordinho, ruivo, muito atencioso.
Já as cesariadas, me dizem: -A minha obstetra é a Dra. Fulana de Tal.
Por quê esta diferença? Acho que está num fato bem simples. À medida que um médico vai se tornando experiente e bom, aumenta a sua clientela. Lá pelas tantas ele não têm mais como atender pacientes com um nível baixo de tolerância à dor, ou a ansiedade, por quatro, seis, oito horas de trabalho de parto, sem deixar desassistidas outras pacientes suas.
Até por que as suas pacientes querem ser atendidas por ele(a) e não por um(a) auxiliar.
Dirão alguns que em outros lugares (países) os partos são feitos pelos plantonistas, auxiliares, parteiras e que tudo funciona até melhor que aqui. E eu vos direi que nos países, como nos EUA, onde se processa um médico pelo que a paciente, ou seus familiares, entende haver sido um erro, a Obstetrícia costuma liderar o ranking (perdão Aldo) dos especialistas mais processados.Num dos momentos mais importantes da vida de uma mulher ela vai querer ser atendida por outro(a) facultativo que não o que ela escolheu?

sábado, 5 de janeiro de 2008

CESÁREA OU PARTO VAGINAL?

Estou iniciando uma série, que por ser longa, será publicada por capitulos. Se para alguém for enfadonho, é só passar adiante.
Desde os tempos em que eu estudava na Faculdade de Medicina da UFRGS os professores defendiam a idéia de que se se pudesse escolher, se deveria optar pelo parto vaginal, deixando as cesarianas para situações bem específicas.
A prática me mostrou que não era assim que as coisas aconteciam.
Agora, no mês de dezembro, acompanhei o final de gestação de algumas pessoas da minha relação. As cesáreas deram de goleada.
Os médicos são bons. As pacientes são normais. Então, o que está acontecendo?
Para mim, são várias as explicações, gostaria de compartilha-las com vocês.Devo, novamente, alertar que estou falando de pessoas da classe média para cima. De pessoas do Rio Grande do Sul. Do Brasil.
Segue amanhã.