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quinta-feira, 5 de junho de 2008

E A DOR VOLTOU

Depois de uma pequena melhorada a dor voltou. Só terminando depois que três canais foram limpos. Fiquei impressionado com a capacidade de limitação da dor. Meus neurônios parecem que perderam a capacidade de raciocinar. E, quando tinham de faze-lo, pareciam que isto também doía. Desnecessário dizer que a criatividade continuou em zero. Aí fiquei pensando nestes grandes artistas que criavam a pesar da dor. Duvido que fosse por conta da dor. Fica aqui a minha homenagem a todos aqueles que são obrigados a trabalhar com dor.

domingo, 1 de junho de 2008

A GUERRA DO PARAGUAY

Pois senti na carne o que os paraguaios devem haver sentido por ocasião da Guerra da Tríplice Aliança.
Há dez dias fui acometido por uma rinite como a anos eu não tinha. Dois dias depois a seguiu uma enxaqueca de causar inveja em torturador. Mais dois dias e todo o lado esquerdo do meu rosto, na altura dos molares, foi invadido por um monstro que causava uma dor surda. Descobri que são três canais que vieram dar o ar de sua graça. Para finalizar, quando os três primeiros pareciam ceder, vieram os sintomas de uma gripe.
E nestas horas eu digo: Viva a Medicina! Viva a Farmacologia!
Tudo o que o meu fígado não teve de enfrentar por eu não beber, não fumar, não usar drogas, ele pagou tendo que processar antiinflamatórios, analgésicos, vaso constritores, mio relaxantes, e por aí vai.
O fato é que sobrevivi e consigo, agora, escrever um pouco. Restam uma tossezinha e uma vaga sensação de cansaço, mas nada que não seja superável.
Tem horas que a dor te impede de fazer qualquer coisa, de pensar; que o raciocinar parece uma bola de arame farpado a vaguear dentro do cérebro. Como ela parece que não vai ter fim, a idéia de morrer deixa de ser tão assustadora. Mais ainda, eu tinha a sensação de que faria quase que qualquer negócio para que a dor cessasse.
Depois que passa a gente até pensa:
-Ah! Se eu me precipito...
Ou
-Mas que bobagem! Tava na cara que ia passar...
A memória é muito traiçoeira...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

CESÁRIA ou PARTO VAGINAL - Explicação número IV

Durante muitos anos se esgrimiu o argumento de que embora a cesárea não doesse na hora, doeria mais do que o parto vaginal com a episiotomia (Corte que se faz na vagina para alargar o canal vaginal e com isto poupar um pouco a musculatura da vagina.) a posteriori.
Tenho reparos a fazer: A anestesiologia progrediu muito nos últimos anos. Surgiram novas técnicas de analgesia. E, principalmente, os médicos começam a perder o medo de usar analgésicos em doses mais generosas (Só a título de ilustração: Deixava-se para usar a morfina só para situações de dores intensíssimas ou casos finais. Hoje isto mudou muito. Perguntaram ao Nelson Piquet se ele havia sofrido muito com as dores depois do seu acidente nos EUA. – Que nada! Passei aquele período voando, porque me deram tanta morfina que, além de eu não ter dor, vivia num constante bem-estar eufórico – a frase pode não ter sido exatamente esta, mas o sentido sim. Ficou “viciado”? Aparentemente não. Dizem alguns que, em algumas situações, não se cria a dependência e, dizem outros, que só fica dependente quem tem a tendência à dependência. Não assino embaixo de nenhuma destas teses por que não tenho conhecimento suficiente para faze-lo.) Hoje conheço várias mulheres que me relataram que, tanto no parto vaginal, como em cesáreas, não sofreram praticamente dor nenhuma, quer na hora, quer no pós-imediato por conta de uma analgesia bem conduzida.

sábado, 5 de janeiro de 2008

CESÁREA OU PARTO VAGINAL?

Estou iniciando uma série, que por ser longa, será publicada por capitulos. Se para alguém for enfadonho, é só passar adiante.
Desde os tempos em que eu estudava na Faculdade de Medicina da UFRGS os professores defendiam a idéia de que se se pudesse escolher, se deveria optar pelo parto vaginal, deixando as cesarianas para situações bem específicas.
A prática me mostrou que não era assim que as coisas aconteciam.
Agora, no mês de dezembro, acompanhei o final de gestação de algumas pessoas da minha relação. As cesáreas deram de goleada.
Os médicos são bons. As pacientes são normais. Então, o que está acontecendo?
Para mim, são várias as explicações, gostaria de compartilha-las com vocês.Devo, novamente, alertar que estou falando de pessoas da classe média para cima. De pessoas do Rio Grande do Sul. Do Brasil.
Segue amanhã.