quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Sobre a Verdade Nua e Crua

Esta pergunta e sua resposta são do "Vida Feminina", do clic RBS. Mas achei que devia publicá-la aqui também.


Dúvida: Dr. Carrion, andei lendo seu blog e não pude deixar de notar uma coisa: Você não é muito chegado na "verdade" não? Você pressupõe que as pessoas prefiram viver uma vida de ilusão ao invés de saber a verdade nua e crua. O que você acha do meu comentário e porque você insiste às vezes em sugerir para as os quesitantes para que escondam o que fizeram? Onde foi parar a honestidade e o caráter? Particularmente, não concordo com suas respostas neste tema, que considero extremamente egoístas. Mas sempre acompanho seu blog em outros temas que considero excepcional. Enviado em 06/04/2009 às 19h41por Gustavo, 29 - Rio de Janeiro (RJ)
Meu caro Gustavo. Lembras-te de um quadro do Luis Fernando Guimarães, o “Super Sincero”? Ele mostrava muito bem os efeitos da verdade nua e crua.
Um homem e uma mulher, ao longo de um casamento de, digamos, 10 anos, conviverão lado a lado 3652 dias, 87600 horas, 5.256.000 minutos. Como eles são humanos, imagino que cometerão ao longo deste tempo alguns deslizes. Se todos eles fossem confessados pergunto-te: Esta união agüentaria tantas verdades incomodativas? Querendo, ou não, uma mentirinha agindo como lubrificante social ajudará a manter a relação.
Não defendo a mentira dolosa, criminosa, que visa lesar, prejudicar o outro.
Por outro lado, já imaginou eu como médico, você como cliente, com tosse, enfraquecido, alguma dor e eu lhe dizendo a verdade absoluta. “Meu amigo, o senhor é portador de um câncer de pulmão inoperável, intratável, deve ter uns três meses de vida pela frente com muito sofrimento e vai morrer com dor, muita falta de ar e botando sangue pela boca”.

Ou depois de uma boa transa a mulher dizer. Sabes Fulano, foi muito bom, mas o sexo oral com o Beltrano continua insuperável"
Não seria encantadora esta resposta, verdadeira, nua e crua? Ou seria preferível uma destas meias verdades, com umas mentiras de permeio que a gente diz nestas horas.
É isto que eu penso sobre verdades absolutas em qualquer campo do subjetivo, ou seja, do amor, ou do tesão.

domingo, 5 de julho de 2009

O VIBRADOR - Incrementando a Vida Sexual

Quando a minha amiga me perguntou sobre o que eu achava dela comprar um vibrador, para dar uma incrementada na sua vida sexual com o marido, me surpreendi com a rapidez, precisão e até com a aparente inquestionabilidade da resposta, principalmente em assuntos que eu costumo dar uma boa avaliada antes de dizer alguma coisa.
- Eu acho ótimo!
Expliquei para ela o porquê e agora o explico para vocês.
Hoje, a vida sexual tem um espaço extremamente importante na vida das pessoas. Como criador de uma intimidade, como elemento lúdico, de
prazer, como manifestação de afeto.
Ora, o vibrador ajuda ao incrementar o prazer da mulher; e ao prazer do homem, de ver a mulher que ele ama, se relaciona, sentido muito prazer, tendo a sua capacidade multi-orgásmica expandida, ou a sua
capacidade em ter prazer e orgasmo aumentada.
Isto porque os vibradores são construídos para vibrarem em uma freqüência que, em contato com o clitóris, grandes e pequenos lábios, fazem com que a grande maioria das mulheres tenha muita sensação de prazer.
Devo dizer que ao contrário do que a maioria dos homens pensa, o vibrador não é para introduzido na vagina e no ânus para que a mulher tenha prazer. Aliás, o percentual de mulheres que gostam de ser penetradas por um vibrador é relativamente pequeno. Os homens é que costumam ter muito prazer em penetrar as mulheres com vibradores. Talvez porque imaginem que isto dá muito prazer a elas. Ou porque o vibrador funcionaria como uma projeção do seu pênis, pois o risco de perder esta ereção não existe.
Se bem que um casal me contou, rindo, que no meio de uma transada o vibrador deles parou. –
Foi uma brochada eletrônica!
Mas o vibrador não é algo que possa ser apresentado para qualquer homem. É necessário que ele já seja uma pessoa madura, autoconfiante, não egoísta. Infelizmente alguns homens ficam assustados com o prazer que a mulher está tendo quando usam o vibrador. Não se dão conta que o vibrador faz parte da transa com ele, como a bebida, a música, o décor, a banheira de hidromassagem y otras cositas más.
Outros homens ficam com inveja do prazer que a mulher está tendo e acabam, por isto, hostilizando o uso do vibrador, fazendo freqüentemente uso da ironia, ou do menosprezo, quando
não da calúnia ou difamação.
Portanto, se você é mulher, gosta do prazer sexual, não se sente uma pessoa preconceituosa e está casada com um homem maduro (neste caso, maduro não tem nada a ver com idade), pode ir comprar um vibrador que é quase “seu prazer garantido ou seu dinheiro de volta”.
PS – O vibrador também pode ser usado para a masturbação. Mas aí o contexto é outro.

sábado, 4 de julho de 2009

Lendo os noticiários não deixo de pensar nos incríveis progressos da Medicina.
Só pode ser por conta dos avanços cirúrgicos que os meus amigos petistas, e seus aliados, estão vivos depois de terem engolido, protegido e até vivado o Sarney.
Sir Ney, como dizia o Millôr, numa época em que o José Ribamar era intragável para os meus citados amigos, que não aceitavam os que o engoliam por conta da aliança para derrotar o Maluf, candidato a presidente da república e, logo após, em nome da salvação da Volta da Democracia, por conta da morte do Tancredo Neves.
Como criticavam, com que ênfase, o Pragmatismo Responsável...
O “É dando que se recebe”!
E como condenavam, censuravam, os que haviam dito isto, agido assim.
Só que...
Parece que Deus, ou o Diabo, resolveu que se deve pagar ainda nesta vida pelo que se aqui se fez.
Não é que Sir Ney é chamado de amigo, de necessário, de aliado imprescindível para a governabilidade desta Terra Brasilis?
Acho que era o Collor que citava, não sei quem, que “O Tempo é o Senhor da Razão”.
Que ironia a mais esta.
Ter de concordar até com o Collor e seus adágios!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Sobre Mortos e Cemitérios

Andei esta semana às voltas com cemitérios, túmulos de família. Apenas para constatar que, inobstante pompas, ouros, etc. , a morte é sempre uma coisa triste, solitária e pobre.
Por mais importante que alguém tenha sido na vida da gente, quando ela morre é como se nos afastássemos dela, como quando eu pegava o ônibus em Livramento e vinha para Porto Alegre, embora neste exemplo eu sempre pudesse voltar.
Do morto, a menos que neurotize, ou enlouqueça, não mais ficaremos próximos.
E a memória, me dirão alguns? Esta é sempre enganadora e costuma se esvair. Lentamente, mas se esvai.
Quantos se lembram da 3ª transada? Ela se foi no Tempo. Ou me engano?

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Sou um admirador dos que têm espírito.
Um amigo meu mandou um torpedo que dizia o seguinte.

O Inter é que nem o Michel Jackson. Está morto, mas vendeu todos os ingressos.

Pois não é que no mesmo dia recebeu outro que dizia.

O Grêmio é como o Elvis Presley. Já morreu, mas tem um monte de gente que acredita que está vivo!

Admiro estas pessoas que têm esta capacidade criativa.

domingo, 14 de junho de 2009

DESTAS COISAS QUE A GENTE OUVE

-Mas o que é que o Fulana está fazendo, aguentando o Sicrano?
-É que ela é tipo mulher espaguete. O cara enrola e depois come.
Pra se dar bem numa rodada de truco, ou de sexo, ou o cara tem uma boa parceria ou uma boa mão!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

AS VEZES É BOM LEMBRAR

Marcelo, 38 anos, escriturário, Porto Alegre – Dr. Carrion, eu e minha mulher vivemos bem e temos uma boa vida sexual. Ocorre que outro dia, de madrugada, vi que ela gemia e quase chorava. Pensei que fosse um pesadelo e fui acorda-la. Para minha surpresa ela me disse que estava se masturbando, estava quase gozando, por isto os gemidos e choramingos. Na hora banquei o superior, na base do “tudo bem”. Mas fiquei com as minhas caraminholas. Pô, eu tava do lado dela, será que eu não a satisfaço mais?
Pô!!, digo eu Marcelo. De onde tu tiraste que mulher casada não se masturba, ou não pode se masturbar, tendo o marido por perto? Ela pode querer se masturbar pelo simples fato de que quer se proporcionar prazer, ou de um determinado jeito, ou ritmo. Porque naquele dia, naquela hora não queria compartilhar este prazer contigo. E por aí vai.
A maior parte dos homens casados, pelo menos me dizem eles e as estatísticas, se masturbam de vez em quando. Porque fazer um escarcéu quando uma mulher faz a mesma coisa? Isto não significa nem desamor, nem que o outro não satisfaça. Significa apenas que, mesmo casados, todos nós conservamos fatias da nossa individualidade.
E, para finalizar, talvez vocês tenham uma boa vida sexual porque ela se dá o direito de se masturbar.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A OUTRA & AS OUTRAS

- Dr. Carrion, meu marido é um mulherengo! O que é que eu faço?
Homem que sai com várias mulheres é que nem cachorro que come ovelha. Só matando! (Sentido figurado gente, sentido figurado.)
A solução, as soluções seriam:
Faz de conta que não vê.
Te separa, porque, até ele perder os caninos, vai correr muita água debaixo da ponte.
Não te separa, porque um dia destes ele perde os dentes e fica calminho, calminho.
Não te separa e já que ele deixou o dele de fora, faz tudo aquilo que tu tiveres vontade porque quando ele vier com cobrança tu mostras as duplicatas vencidas dele.
Te separa, porque isto não te agrada e vai fazer a tua vida. Só aprende uma coisa, se pegar homem gostosão (ou metido a), mulherengo, tipo este atual, não vai ficar pensando que tu vais conseguir muda-lo e nem depois vir se queixar que ele sempre tem um rolo.

- Dr. Carrion, meu marido tem outra!
Buenas, vamos por partes, porque aqui a coisa pode ser mais complicada. Que tipo de Outra? Há quanto tempo está com a Outra? Que ligação ele tem com a outra?
Sim, minha senhora, aqui existem detalhes que são importantíssimos, vitais, decisivos. Ele já sabe que você tem conhecimento da Outra? Já lhe falou alguma coisa a respeito da Outra?
A Outra pode ser uma zinha que ele pegou só para fazer um teste, da sua masculinidade, da sua capacidade de conquistar.
A Outra pode have-lo pego. Estas, em geral, assim que o elemento novidade se desgasta são postas de lado.
A Outra pode ser bem mais jovem, o que o ajuda a sentir-se mais jovem. O curioso é que estas ligações duram pouco tempo. Ou o sujeito se cansa da imaturidade delas, ou elas se cansam da maturidade deles.
A Outra pode ser uma paixão antiga, mal resolvida; o que faz com que os desdobramentos, por parte dele, sejam imprevisíveis.
A Outra pode ser alguém que dá para ele o que você não dá. Variações sexuais, colo, um bom ouvido, alguém que levanta a moral dele. Se quiser ficar com ele não adianta só cortar a Outra. Ou ele mente que a largou, ou a troca por outra Outra que você não conhece e que dá a ele o que você não dá. E não adianta ficar reclamando que quando se conheceram, namoraram, noivaram, casaram, se juntaram, se amancebaram, você também não dava isto ou aquilo. Ele simplesmente cansou de não ter isto, ou aquilo, e partiu para o mercado atrás do que lhe faz falta.
O que você deve fazer? Faça o que você achar que deve fazer, pombas! O que serve para aquela cujo marido tinha outras, deve servir para você. Não temos bola de cristal para saber o que é melhor antecipadamente. Se achar que não fez bem, da próxima vez tenta diferente.

domingo, 7 de junho de 2009

HITLER, CORÉIA DO NORTE E A NÃO INTERVENÇÃO

Com estes testes de foguetes, com a busca da tecnologia nuclear, a Coréia do Norte tem deixado muita gente com o sono mais leve.
Fico pensando na ascensão do Nazismo na Alemanha.
Quando Hitler subiu ao poder muitas de suas reivindicações pareciam justas.
A Alemanha fora derrotada na I Guerra Mundial e o tratado de Versailles, com sua mistura de cláusulas para impedir novas guerras, conseguir reparações para as potências vencedoras, como meio de vingança para reparar as humilhações sofridas pela França, principalmente, ajudava a criar um clima de revanche que o Adolfito soube aproveitar bem para mobilizar as massas.

O fato é que, desde que subiu ao poder ele começou a desafiar o tratado e os seus signatários.
Invasão de regiões desmilitarizadas, remilitarização da Alemanha e por aí vai.
Os demais países ficavam na base do protesto, de sanções, que sempre eram parciais e que não eram obedecidas por todos.
E o Adolfito avançando, avançando.
Quando desobedeceu ao acordo de Munich, que ele havia assinado e ele declarara como satisfatório, recebeu o cartão amarelo. Quando invadiu a Polônia recebeu o cartão vermelho.
Só que então pelo menos 100 milhões de seres humanos pagaram com a vida.
Até hoje se cobra de ingleses e franceses não haverem intervido para valer no início do processo, quando a Alemanha Hitlerista não tinha ainda meios de impedir efetivamente a ação dos Aliados.
Ingleses e franceses não queriam sujar as mãos, não queriam perdas de vida humanas, imaginavam conseguir apaziguar a fera, que ela tivesse bom senso. A idéia do “somos contra a Guerra” prevaleceu. O que se viu foi o contrário.
A insaciabilidade de Hitler só aumentava. Agora passava por cima dos tratados que ele mesmo havia assinado.
Hoje observamos a Coréia do Norte desafiar tratados e potencias. Não nego que ela tenha as suas razões. Como Hitler também as tinha. Mas como Hitler, e sua camarilha, os dirigentes norte coreanos não são flores de se cheirar.
E todo mundo fica na base do protesto, das ameaças de sanções e por aí vai. Inevitavelmente Coréia do Sul e Japão vão partir para um rearmamento mais efetivo. Daí, até uma centelha explodir a primeira bomba será um upa.
Novamente, alguns milhões morrerão, os pósteros vão reclamar de que não se interveio mais precocemente e os que hoje clamam por soluções pacíficas, não intervenção, etc. e tal, vão ficar calados, ou vão alegar que os que interviriam também não eram santos e veremos a História mais uma vez se repetir.
“Ave César morituri salutanti”

sábado, 6 de junho de 2009

DAS TOD - DAVID CARRADINE

Bueno, apesar de tudo, deve ter morrido sentindo prazer.
Talvez uma morte mais agradável do que "morrer de velho", cheio de dores e dos outros achaques que costumam acompanhar a chegada da Velha Senhora.
Não que com isto esteja a recomendar a prática do prazer pela sufocação, nem outras ligadas ao sofrimento, ou a lesões. Nem como método de suicídio.
Que aliás defendo como um direito para quem está lúcido, consciente, coerente e que, ao examinar o que lhe resta de vida e o seu momentum, chega a conclusão que é o melhor para si.
O curioso é que ao escrever este bilhete liguei no canal de músicas da NET, nas "clássicas"; estava tocando a Marcha Funebre, OP 35 do Chopin. Que para mim é uma das obras primas musicais.
Meu pai, que gostava de música, que entendia de música, dizia que era a mais bela encenação musical do fenômeno da morte para os que ficam.
O momento da dor, os momentos de nostalgia, os de alienação, aqueles em que o pensamento vaga alhures, e, finalmente, aquele da despedida.
Do "nunca mais..."

terça-feira, 2 de junho de 2009

Katyn (O Massacre de Katyn, o filme).

Um filme brutal, bestial, furioso, patético.
Mostra o que é viver sob um regime totalitário.

Não interessa de qual viés.
Você não vale nada.
Tudo pode ser usado contra você.
Mesmo na adesão você não estará seguro, pois pode aderir a um grupo que está forte e no poder hoje e que amanhã será exterminado por um motivo qualquer.
A Verdade é uma utopia e “verdades” são manejadas para servir a interesses do momento.
Ser verdadeiro, autentico, pode significar uma sentença de morte. Ser mentiroso também, pois você não sabe o que é a verdade de amanhã.
Um filme duro. Simplesmente isto. Duro.

O AMANTE

Vi outro dia um filme com o Antonio Banderas com este título. O filme confirma a tese do meu amigo, guru e especialista em relações homem/mulher, além de excelente cirurgião plástico, Renato Viera.
“O AMANTE É SEMPRE MELHOR”.
O marido pode ser honesto, trabalhador, sério, pode ser até melhor de cama que o amante. Mas perde para este.
Porque lhe falta poesia, sedução, a arte da surpresa, da novidade. Enfim, faltam-lhe estas coisas que parecem supérfluas, mas que na verdade dão o sabor, o colorido, “la creme” da vida.
Os Grandes Maridos são aqueles que conseguem ser maridos e amantes. Poucos conseguem. Dá trabalho. É um exercício continuo. Não tenho dúvidas que vale a pena.
Mas em tempos de imediatismos, de leis do menor esforço, do levar vantagem, embora seja só em curto prazo, poucos são os que têm capacidade de enxergar mais longe.
Depois se queixam do belo par aspas que as esposas, namoradas, lhes colocam na testa.
O pior é a reclamação, que é sempre a mesma.
-É uma filha da puta! Nunca deixei faltar nada dentro de casa! Nunca saí com outra mulher! Sempre tive a maior consideração por ela e pela família dela! E agora ela me apronta esta!

terça-feira, 26 de maio de 2009

UMA SITUAÇÃO QUE DÁ O QUE PENSAR

Marelise, estudante universitária, 22 anos, casada, Porto Alegre.
Dr. Carrion, quero ver se o sr. consegue me ajudar na confusão que está a minha vida.
Meu pai teve um caso com a mulher de um amigo dele. Apaixonaram-se e foram viver juntos. Acontece que eu sempre fui apaixonada pelo marido desta mulher e, apesar da diferença de idade ser grande, começamos a namorar, passamos a viver juntos e acabamos casando. Para piorar a situação descobri que minha mãe já havia tido um caso com meu atual marido. Por mim, tudo bem, mas ela acha que eu e ele ficamos juntos só por conta disto e não porque eu o amo.
O fato é que agora ninguém se dá com ninguém.
Sei que esta história pode parecer mentira, mas é a mais pura verdade. O diabo é que com tudo isto me sinto muito isolada. Tirando meu marido não tenho ninguém com quem conversar na família. O que eu posso fazer?
Frente a complexidade da situação, as tensões entre as pessoas, as mágoas, as sensações de traição, acho muito difícil que consigas fazer algo que leve a estas pessoas a se relacionarem bem. Casos como estes parecem ter como único remédio o tempo. E um tempo nada pequeno. No futuro, talvez todos consigam rir desta situação toda. Mas só no futuro. E, se conseguirem se dar conta que são seres humanos, que seres humanos podem tomar atitudes surpreendentes, inéditas, fora do comum, apenas por serem humanos e terem emoções, desejos, impulsos, que nem sempre se coadunam com a moral, ou com a lógica.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

SOBRE O BEM E O MAL

Desculpem-me a teologização, mas não tenho a menor dúvida que em Deus, se ele existir, o Bem e o Mal coexistem. Pois se Ele é o criador de tudo, terá também criado o Mal, mesmo que alguém me argumente que o Mal não foi criado pois é a ausência do bem. Mas quem permitiu que esta ausência fosse criada?
Por outro lado, se me falarem do livre-arbítrio, contestarei que quem cria um ser com direito a livre-arbítrio, está criando, pelo menos, a possibilidade do Mal.
A dicotomia Bem x Mal, Eros x Tanatos, ou outras, me parece absolutamente intrínseca ao ser humano, se não a própria Vida. Portanto, se existe um
criador, ele responde por Toda a Obra.
Como dizia meu amigo e filósofo diletante, Helinho Viégas. “No fundo tudo se resume a Sexo e Violência, o resto são apenas nuances destes dois”. Como dei umas pinceladas no conceito original dele, considero-me co-autor.
Mas por que estou a escrever isto? Neste espaço? Que foi criado para falar sobre o Amor e seus derivativos, prazer, sexo, beleza?
Porque nestes últimos dias uma série de notícias me chamou a atenção.
Crucificaram um sujeito numa parede.
Cortaram as orelhas de outro.
Mataram cinco em uma chacina numa cidade da Grande Porto Alegre.
Um assaltante dá um tiro e mata uma criança por que a babá não quis (provavelmente
paralisada pelo medo) desligar o alarme da casa.
Um sujeito após, o que parece ser uma discussão de trânsito, estupra, amarra em uma árvore e esfaqueia dezesseis vezes uma dentista.
Quero e vou continuar a escrever sobre sexo e prazer, mas não dava para ignorar o outro lado. Tava demais.

terça-feira, 12 de maio de 2009

UMA DE PAI CORUJA

Saiu sábado na Zero Hora


ARTIGOS
Ser filho da mãe (hoje), por Lúcia Pesca* e Pedro**
(O Pedro é meu filho - Carrion)

Diz o filho:É cansativo ser filho dessas mães de hoje, porque elas não dão moleza. Nós adoramos ficar sossegados sem pensar em nada, mas elas, por estarem sempre cheias de afazeres, não conseguem entender como isso é possível. Aí começam a nos alugar. A vida delas não tem mais espaço, de tanta coisa que fazem, então elas terceirizam a agenda para a equipe mais próxima, nós, os filhos. Acordamos com o famoso bilhete de “nossas” prioridades ao lado da cama. De faxineiros, office-boys, fazedores de supermercado, conselheiros sentimentais a mais dignificante função de técnicos de informática. Elas nos sugam toda energia do dia. Quando vamos para a academia ou faculdade, já estamos exaustos. Mas fazer o quê? O pior é vê-las cansadas no final do dia, às vezes reclamando, mas ainda querendo papo para saber como andam nossas vidas. Sabemos que o repasse de todas essas tarefas não é só pela falta de tempo delas, mas para não deixar que fiquemos acomodados em nossas vidinhas, nos ensinando, assim, a aceitar a conviver com responsabilidades e compromissos. Como se não bastasse a cabeça muito ocupada dessas mães, ainda aumentou a preocupação com a segurança de seus pupilos, vindo daí as frequentes frases, como: “Onde vais?”, “Pegaste o celular?”, “Como voltas?”, e nós aguentamos, controlando a vontade de nos rebelarmos, porque sabemos que essa ansiedade faz parte da profissão “mãe”.Definitivamente, ser filho da mãe hoje em dia não é mais uma ofensa, mas, sim, um aprendizado mútuo entre pais e filhos.Diz a mãe:Ah, os filhos de hoje! Estamos constantemente revalidando nossos valores através dos filhos. Aprendemos a delegar e dividir o que outrora fazíamos por eles e também a diminuir as culpas em não lhes dar tudo “de mão beijada”. Estamos conseguindo colocar limites com mais frequência, e aceitando os limites que eles nos impõem, como até onde podemos nos intrometer na vida deles (essa parte é bonita de dizer, mas difícil de fazer). Nós, mães, multifacetadas, reconhecemos que, para conviver com esse nosso jeitinho exigente e ritmo desenfreado, os filhos, de quem tanto cobramos – para o bem deles, é claro –, acabam amadurecendo mais cedo. É interessante perceber que não é mais pelas ameaças de perderem a mesada, o carro ou deixarem de ir à festa x ou y que eles atendem às nossas solicitações, mas, sim, por serem espectadores das nossas trajetórias de vida e nos admirarem. E veio daí a idéia deste artigo. Quando Pedro e eu conversávamos sobre o fato de que muitas mães não reconheciam essas atitudes de seus filhos como um agradecimento a elas. Portanto, obrigado, filhos, por nos darem a certeza de que nós estamos fazendo a coisa certa. Esse é o melhor presente que uma mãe pode querer no seu dia.Definitivamente, ser filho da mãe hoje é padecer no paraíso.
*Psicóloga **Filho de Lúcia, 18 anos

domingo, 10 de maio de 2009

RELAÇÕES ANAIS

Volto ao assunto por conta de vários e-mails.
Por exemplo:
Miriam, 32 anos, empresária – Dr. Carrion gostaria que pudesse falar um pouco sobre sexo anal. Os homens que me relacionei e os que várias amigas se relacionam, querem ter relações anais. Não morro de amores por este tipo de relação, embora algumas tenham sido muito agradáveis em muitas outras elas foram dolorosas e acho muito desagradável quando o pênis do homem aparece com marcas de fezes.
A pergunta é: O que fazer?
Miriam, quanto ao gostar, ou não, nada a fazer, é uma questão de gosto individual. Mas existem algumas regras que podem tornar estas relações mais prazerosas, ou pelo menos, não dolorosas.
DO HOMEM -
Não deve ser um bem dotado, pelo menos de calibre.
Não pode ser um apressado.
Não deve pensar no ânus como se fosse uma vagina apertada, portanto comportamento tipo desentupidor de pias está descartado.
Deverá usar sempre um lubrificante íntimo e camisinha.
Deverá aceitar que a mulher não quer e não ficar aporrinhando-a.
Se, na hora da penetração, ela se queixar de dor, deve parar de imediato.
DA MULHER –
Deve estar relaxada; numa posição confortável, de lado parece ser a mais indicada.
Não deve estar com vontade de ir aos pés, ou com diarréia, ou haver ingerido comidas picantes nas últimas 24 horas.
Deve fazer o homem respeitar o seu ritmo. Ou seja. Usando um creme começa fazendo carícias nas bordas do ânus. Depois o penetra lentamente com um dedo e, posteriormente, com dois. Esta penetração, além de lenta, deve ser feita em etapas, com idas e vindas bem vagarosas. Ensine-o que se sentir qualquer resistência muscular deverá esperar que esta se desfaça antes de progredir. Em caso de dor deve parar e só tentar alguns dias depois.
Correndo tudo bem, repetem as mesmas manobras com o pênis.
Se for um pênis longo, evitar o “enterrar até o talo”.
Fazendo tudo isto, espero que cheguem ao “enjoy it”.

domingo, 3 de maio de 2009

Trânsito x Gripe Suína

Até agora 25 mortos no trânsito no Rio Grande do Sul, no feriadão. Quantas mortes em todo o Brasil?
Quantos já morreram da gripe suína EM TODO O MUNDO?Continuo sem entender porque ela recebe tantas manchetes e o transito, proporcionalmente, tão poucas. Será que é porque as mortes no trânsito já são rotina?

POBRES MÃES

Com a chegada do Dia das Mães começo a ficar com pena das coitadas das mães.
Sim, porque com os comerciais que mostram mães maravilhosas, perfeitas, extremadas, ultrafelizes, ultra-realizadas e por aí vai, as mães de verdade, com as suas limitações humanas devem sentir-se um lixo.
A estas mães imperfeitas é que eu cumprimento. As perfeitas não existem.

TO OR NOT TO BE

Resolvi colocar este email e a resposta que eu dei porque ele fala de um drama humano que todos nós já passamos e vamos passar algumas vezes mais na vida até a chegada da Velha Senhora.



Em 02/05/2009 09:04, sophie <> escreveu:

Carrion querido estou escrevendo porque como já sabes, tenho muita dificuldade de tomar decisões e na verdade tenho receio de escolher um caminho e me arrepender depois, como já me disseste uma vez, sempre que eu escolher algo estou abrindo mão de outras coisas e isso é a vida, o fato é que estou na Escócia e não é simples se eu decidir voltar para o Brasil e depois ver que tinha que ficar mais aqui... Gostaria que me ajudasse a analisar os fatos...
Separação: como já deves saber me separei, mas foi tudo super amigável e continuamos ajudando um ao outro, visto que tenho minha passagem para o Brasil dia 28 de junho, decidimos por continuar no mesmo apartamento até eu ir embora porque é economicamente viável para os dois, ainda dormimos na mesma cama e continuamos com nossa rotina normalmente, ainda nos amamos porque afinal de contas são 11 anos e optamos por separação antes que o nosso amor que é tão bonito virasse ódio e nenhum dos dois quer isso...Tenho muito carinho por ele, mas às vezes penso que é um carinho de irmão por não sentir atração nem desejo, não sei se o problema é comigo ou é com a relação... Ele não queria terminar, mas estava esperando que eu dissesse que iria mudar e eu não disse...
Escócia: aqui é tudo maravilhoso, moro na praia e tem muitas lindas por todos os lados, a qualidade de vida é incomparável, tenho segurança, ando tranquila na rua sem medo de um levar minha bolsa ou colocar uma arma na minha cabeça ou invadir meu apartamento, aqui isso é 1 em milhões...Quando cheguei aqui não falava nada de inglês e trabalhava entregando pizza, agora já estou trabalhando na área como woman’s nurse e divido meus horários no outro emprego na fábrica que optei por mantê-lo porque pagam bem, os chefes são ótimos, o clima é agradável e posso fazer meus horários porque tenho moral e faço muito bem meu trabalho...O trabalho de woman’s nurse tb é ótimo a chefe me adora e não quer que eu vá embora e tenho certeza que se eu decidir por ficar aqui ela me ajudará, tb ganho bem e o melhor de tudo é que estou na área... Para eu ser médica aqui o caminho ainda é longo e terei que fazer várias provas, mas antes disso tenho que estar com inglês perfeito (ainda preciso melhorar muito) e depois estudar medicina em inglês para fazer essas provas...O fato é que aqui médico especialista ganha muito dinheiro e se eu chegar lá estarei feita da vida (mas longe da minha família e dos verdadeiros amigos)...Aqui também temos a possibilidade de viajar muito, é comum sair por uns tempos, viajar e quando voltar ter teu emprego de volta (quando se é bom trabalhador como eu hehehehe)... Mas se eu decidir que quero voltar tb tenho a possibilidade de ficar aqui mais um ano só juntando dinheiro para quando voltar para o Brasil poder montar um consultório ou dar entrada num apartamento, etc...Mas vivendo sem o Fábio, ou seja, praticamente sozinha...Claro que tenho amigos aqui e farei mais e tb quem sabe conhecer um Escocês hehehe...Mas o Fábio tb vai ficar aqui mais um ano e tenho dúvidas se não seria melhor voltar logo e começar a vida aí de novo com ele longe pq logo ele tb voltará... Ou quem sabe ficar com ele mais um tempo para ver no que vai dar...
Brasil: tenho medo de voltar e ver essa bagunça que é aí, perigo, burocracia, roubalheira, dificuldade para ganhar dinheiro, vou voltar para casa do Leão e da mãe pelo menos no início para economizar que tu sabes não será nada confortável, vou começar, bem provável, trabalhando naquelas clínicas do centro terríveis, ganhando uma miséria (mas vou estar exercendo minha profissão) e com o projeto de montar o consultório que tu sabes que não é fácil manter no início e nem ter uma boa clientela para pagar os custos... A mãe disse que vai me ajudar a montar o consultório e o Leão tb, inclusive ele já estava agilizando alguns contatos para tentar um emprego para mim...Tenho certeza que vou me dar bem aí tb, mas penso que não terei mais essa oportunidade de morar em outro país de novo e viajar o mundo porque logo quero me estabilizar e ter filhos...Tb sinto falta da família (mas queria ter meu cantinho/morar sozinha) e poder ver eles sempre, minhas amigas que amo tanto, fazer as unhas, do Carrionzinho que ilumina meus caminhos, do português, da medicina...
Não sei o que eu faço, a mãe está vindo daqui a 20 dias e vai me ajudar, mas queria ouvir a tua opinião também, estou muito confusa pq agora estou bem aqui...Mas tudo está se encaminhando para eu voltar pq depois que eu perder a passagem não posso no mês seguinte decidir voltar aí é para ficar até o ano que vêm...Tu podes imaginar como estou me sentindo, daquele jeito ACHO QUE TENHO CERTEZA HEHEHEHE... Queria ouvir tuas sabias palavras para dar um rumo na minha vida, claro que eu que tenho que decidir, mas please, diz o que tu achas... MUITO, MUITO OBRIGADO POR TUDO, SAUDADES, MILHÕES DE BEIJOS...


Quanto à separação a gente pode dizer, "que pena"; mas tem de se lembrar que todas as coisas humanas têm um dia um fim. Amizades, grupos, tesão (Oh! Que horror!), a vida. Acho, aliás, que todos os casamentos estão fadados a terminar, nem que seja pela morte de um dos parceiros. A Eternidade é apenas um sonho, uma utopia. O chato é que ela nos impede, muitas vezes, que aproveitemos a vida, pois ficamos nos guardando para algo que pode acontecer. Num relacionamento, o que realmente interessa é que ele seja bom, enquanto for possível. E que se o termine assim que tivermos certeza que ele é um doente terminal. Às vezes ele renasce. Mas é por que se o deixou morrer em paz.Quanto ao ficar, ou não, aí: Se eu for um masoquista, sempre vou me arrepender de alguma coisa no futuro. Deu algo errado?!! -Ah! Porque é que eu não fiz assim ou assado. O que a gente esquece é que, quando se decidiu, se decidiu pelo que parecia melhor, e nós só podemos decidir pelo que parece, não temos bola de cristal, ser o melhor.Ficando aí tens uma série de vantagens, e desvantagens.Vindo para cá, idem, idem.Aliás, achei as tuas ponderações muito bem feitas e maduras.Penso que qualquer uma das duas hipóteses é boa.Se fores uma mulher sentimentalmente mais fria. Fica por aí. Vai dar trabalho, mas ficarás rica, ou pelo menos bem de vida.Se fores mais afetiva, que é a impressão que me dás, volta e vêm gozar dos afetos, amizades, carinhos que tu sabes que vão te esperar por aqui.O que tu podes e deves examinar é: Atingistes os objetivos que tu tinha com o ir para a Escócia? Estes objetivos são atingíveis ainda? Valem a pena serem atingidos, no caso de tu não os haveres atingido ainda?Se tu atingiste estes objetivos, ou achas que eles não valem a pena o sacrifício, não perde tempo. Volta!A única coisa que eu acho é que, sob hipótese nenhuma, deves decidir em cima de uma passagem. Se for o caso de perder e ter de comprar uma nova, o valor é ínfimo em relação a tua vida.Quanto a alguém para ti. Seja aqui, seja aí, posso te garantir, não vai faltar. Tu és bonita, querida, inteligente, simpática, trabalhadora, afetiva, etc. e tal. E o tal amor não vem da vontade da gente. Ele vem, se instala, ou não, pode ser por um escocês, um português, até um argentino :-)), brincadeirinha, e curtem-no os que forem espertos.Espero então poder ter te ajudado.Um beijãoPodes continuar me escrevendo a vontade.Carrion

sexta-feira, 1 de maio de 2009

GRIPE SUÍNA

Como não sou um infectologista e nem um virologista, estou falando como um leigo.
141 doentes nos Estados Unidos (200 e picos milhões de habitantes), 331 em todo o mundo (alguns bilhões de habitantes), infectados pela gripe suína me parecem um número pequeno para todo este pandemônio que aparece nos noticiários.
Não estou dizendo que seja um assunto a ser ignorado. Não acho que seja algo a ser deixado de lado. Menos ainda que não se tomem providências. Mas me parece estar havendo um certo exagero.
Não seria o caso de um “boi de piranha”? De uma histeria coletiva?
Serei eu o Barrabás do Pär Largekvist, que está frente ao grande fato e o ignora?