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domingo, 13 de abril de 2008

QUALIDADE DE VIDA

Nas últimas duas semanas três pessoas conhecidas minhas morreram.
Uma de 92 anos, outra de 98 e, finalmente, uma terceira de 102.

Este é um fenômeno recente. Não se costumava durar tanto tempo assim antes.
Daqui a alguns tempos, enterros de pessoas centenárias vão vão ser comuns.
Mas, pergunto-me eu, até que idade valerá a pena viver?
Todas estas três pessoas, que eu saiba, passaram os três, quatro, últimos anos na cama, sem reconhecerem praticamente ninguém.
Nos últimos anos meses estavam quase que uns vegetais sobre o leito.
Antes disto, nos últimos dez, quinze anos, elas ficavam em casa, da cama para a sala, sendo cuidadas por empregadas, ou enfermeiras.
Que eu saiba, pouco, ou nada, faziam que sentissem prazer.
Tenho uma mãe com 88 anos. Ela vai ao cinema, visita amigas e parentes, auxilia meus irmãos em viagens curtas “para os coitados não viajarem sozinhos”, acompanha novelas, noticiários, dá uma lida no jornal, adora comer, principalmente aquilo que dizem que ela não poderia comer; mas, como diz ela: -Se eu não fizer certas coisas, prá que me adianta viver?
Não estou pregando nada. Só estou a me perguntar.
Será que a nossa cultura não está voltada em demasia para o quanto vamos viver e não ao como viver.
Fico pensando em mim.
O dia que eu não puder mais amar, ter tesão, trabalhar, ler, ir a um cinema, consumir algumas bobagens, gozar da companhia de filhos, amigos.
O dia em que não puder me locomover para onde bem entender. Que começar a depender dos outros para atividades simples do dia a dia. Que depender dos filhos, ou sabe lá de quem, para me sustentar.
Será que estará valendo a pena viver? Será que eu vou estar querendo continuar vivo? De que me servirá viver xis anos a mais?
E vocês? O que pensam disto?


quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Réquiem



Ah! Estes velhos, pobres velhos!


Que se lamentam pela virilidade perdida.


Pela falta de tesão.


Pela falta de confiança no desempenho do bicho.


Por que seu tempo passou.


Por que as gatinhas não mais têm olhos para eles.


E ficam a viver num mar de mágoas, ressentimentos, arrependimentos.


Que ficam a viver num passado idealizado, que nunca foi e jamais será.


E não procuram um ANDROLOGISTA.


E não procuram um PSICOTERAPEUTA SEXUAL.


Que não ousam sair do seu circulozinho de vida, que não mais os satisfaz.


Que constroem o Inferno em vida, por não aproveitarem os Céus que têm ao seu redor.


Pobres velhos.


Já morreram e não sabem!