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domingo, 17 de fevereiro de 2008

MON CAHIER DU CINÉMA, ou pretensão pouca é bobagem

O GANGSTER – É um bom filme. Nada mais que um bom filme. Um filme para gastar duas horas da vida sem arrependimentos.
A temática é baseada no tráfico e consumo de drogas nos EUA.
No final a Lei, a Moral, vencem.
Mas a pergunta que não quer calar dentro de mim é a seguinte:
É um negócio de bilhões de dólares. Nele ganham:
a) Os produtores da matéria prima.
b) Os que fazem o refino desta matéria prima, ou algo que o equivalha.
c) Os que transportam esta droga para os grandes distribuidores.
d) Os grandes distribuidores.
e) Os que distribuem dos grandes para os pequenos distribuidores.
f) Os vendedores do varejo.
g) Também podem ganhar os corruptos do esquema repressivo.
h) Os que ganham (honestamente) com o esquema repressivo.
i) Os que ganham com a doença (também honestamente).
Quem perde sempre.
a) A Sociedade.
b) O Usuário.
Aí entra o paradoxo.
A Sociedade topa pagar, resmunga mas topa, mas não quer saber de envolver no processo e não quer que os seus paguem um preço por se haverem envolvido com a droga.
O Usuário é tratado e se comporta como umpobrecoitadovítimadocrueldestino. A rigor, com exceção do dano que cria a si própria ele é sempre absolvido como vítima.
Ora, se estes elos não tiverem uma motivação muito forte para romperem com o resto da cadeia, ela permanecerá intacta. Pois não vai ser quem tem lucro que vai desistir. Se se aumentam os riscos aumenta-se a margem de lucro. Resolvido este problema.
Se o preço para o Usuário, e para a Sociedade, não aumentar, duvido muito que se obtenha qualquer resultado. Esperar que bom senso, ou a educação, venham a mudar isto é acreditar em conto da carochinha, pois nunca se viu isto na História da Humanidade.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O GORDO DAS DROGAS - cap. II

Por outro lado, era de dar pena do cara que se metesse comigo. O hôme partia prá cima e aí, ai de quem estivesse por baixo. Acho que ele tinha uma certa admiração, embevecimento, pelo que, penso eu, seria a minha respeitabilidade.
Através dele tomei conhecimento de um lado lúgrube e mórbido da vida.
O mandar dar uma camaçada de pau num drogadito devedor.
O cobrar em espécie, muitas vezes de modo humilhante, as dívidas de uma madame usuária de drogas.
A desconsideração pelo próximo.
Uma vez ele foi se encontrar com um chefão do tráfico, numa vila que existia na av. Ipiranga, perto de onde é hoje a sede da AMRIGS.
Recebera uma partida, acho eu que era de cocaína, e esta não era de boa qualidade e ele queria trocar. O outro o recebeu numa boa, examinou a mercadoria, constatou o defeito e mandou um capanga ir buscar no depósito uma outra partida para repor a que viera com defeito.
Na sala (Tudo isto me foi contado por ele, não o acompanhava nestas peripécias.) tinha umas 4 ou 5 meninas dos seus 14/17 anos, que ficavam por ali para se atracarem numa sobra de maconha, ou cocaína para darem uma cafungada (O crack ainda não havia aportado nestas plagas, tampouco o LSD, ou a heroína, ou o ectasy.).





O chefão, num cavalheirismo adequado a situação e ao meio, se dirigiu a uma das meninas e disse: -Ô Fulana, vem dá o rabinho aqui pro meu amigo enquanto ele espera. A menina veio prontamente, mas o GORDO disse que não estava afim. O outro não se deu por vencido e chamou uma outra. -Então Beltraninha, dá uma chupadinha no hôme prá ele não ficá inquieto! Desta vez, prá não fazer desfeita, ele aceitou.


Por conta de coisas como estas é que me afastei dele.



Continua num próximo capítulo.

domingo, 27 de janeiro de 2008

O GORDO DAS DROGAS

Numa destas carambolas da vida, lá pelos finzinhos dos anos 60, de uma maneira que não consigo lembrar, conheci o GORDO DAS DROGAS.
Um pouquinho mais velho que eu, era dono de um mini negócio que, por sinal, tocava bem. Mas, fora isto, era o sujeito mais bagaceiro, arruaceiro, encrenqueiro, com quem já me deparei.
Usava drogas e fazia tráfico em pequena escala. Para os amigos, costumava explicar.
Por uma destas coisas que não sei explicar simpatizamos um com o outro, mas nossos modus vivendi, muito díspares, não nos permitiam conviver muito. Eu querendo ser um doutor sério, respeitado e ele querendo mais é que o mundo acabasse num grande forrobodó orgiástico.
Neste ponto é importante que se faça um pequeno interrégnum para fazer alguns esclarecimentos que julgo da mais alta relevância.
Nunca fui um transgressor, um revolucionário, faltava-me a crueldade, a frieza, a coragem, a inconseqüência, o desprezo pelo outro, para fazer vingar a minha vontade. O que eu fiz a maior parte da vida foi seguir as regras do jogo, procurando os descaminhos da vida. Sem cair no campo do crime, o hecha la ley, hecha la trampa.Por conta disto, a minha relação com o GORDO, se limitava a ir ao futebol com ele. E isto eu fazia com prazer. Era divertido, arruaceiro, ixperto, criador de caso. Mas sempre de um modo burlesco, jocoso, picaresco.

Segue num próximo capitulo, serão 4.