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quinta-feira, 5 de junho de 2008

CAHIERS DU CINEMA – A VIDA DOS OUTROS

Um bom filme.
Trata da vida de um artista da antiga Alemanha Oriental e a de um policial encarregado de vigia-lo.
Vale a pena pegar para ver num fim de semana chuvoso.
Mas não estou aqui para falar do filme. Mas do ambiente do filme.
Cada vez que vejo em destes filmes, que retrata a vida em um país “ista”, seja de direita, esquerda, religioso, laico, fico pensando neste bando de idiotas que até hoje, embalados por sonhos idealísticos, pensa que alguém pode viver bem em um mundo em que não se tem, pelo menos, no mínimo, a liberdade do próprio corpo e mente.

Inquisição, nazismo, fascismo, comunismo, em todos eles tem alguém que sabe o que é melhor para os outros. Pior ainda, acha que pode obrigar os outros a acharem que é bom.
E os nossos Idealistas acreditam. Mais ainda, acreditam que vão poder ser eles próprios nestes mundos sufocantes. Que eles vão poder sobreviver.
Praticamente 60 ou 70% dos membros do Partido Comunista Soviético morreram, ou foram presos, ou torturados, durante o stalinismo. Vários compañeros Del Senhor Fidel, que agora esclerosa, viram suas vidas findarem tendo, como última visão, um cano de fuzil, ou uma corda que se esticava. Ou toda uma cúpula das SA que morreu na Noite das Longas Facas. Só como exemplo.Idealistas conseguem me deixar envergonhado de pertencer a Raça Humana e fazer com que me ruborize por eventuais idealismos que tenha tido.

domingo, 30 de setembro de 2007

GEORGE ORWELL, A GUERRA CIVIL ESPANHOLA





Este artigo é em homenagem à minha
amiga Márcia Benetti Machado, que
,luta para formar JORNALISTAS, que
não sejam, “de tese”, “não pensantes”,
incapazes de entender uma idéia e
posteriormente expressá-la.
Em qualquer conflito humano a primeira vítima é sempre a verdade.

Ler o livro GEORGE ORWELL LUTANDO NA ESPANHA é um destes privilégios que a vida nos concede ocasionalmente.
Ele é um comunista, que se recusa à submissão aos dogmas, que rompe com os stalinistas, mas não se submete a outras correntes.
O que aliás me faz desconfiar que ele não fosse um comunista, dos de verdade, dos de carne e osso; pois parece que, na prática, ou o cara é comunista, ou é independente.
Claro, não estou falando do “comunista fake”, um tipo bem comum aqui no Brasil. Ele parece um comunista, fala como um comunista, dá a entender que pensa como um comunista, mas na hora do pega pra capar, no modus operandii, não se comporta como tal. É o revolucionário de bar. No Rio de Janeiro seria de bar e praia.
George Orwell chega à Espanha nos albores da Guerra Civil. Vêm para escrever, para mandar matérias para jornais de Londres. Mas logo se dá conta que lhe é impossível não lutar. Iria contra as suas convicções. Como não consegue ser aceito pelo Partido Comunista Espanhol por não ser stalinista. No da vertente trotskista, por também não ser um adepto de Trotsky. Na facção anarquista, por não ser um anarquista. Acaba entrando no POUM (Partido Operário Unificado Marxista, que era uma dissidência do trotskismo.) por ser o único que o aceita.
(Como o artigo é longo, vou fazê-lo em capítulos, para não ser cansativo de ler na tela.)