domingo, 7 de junho de 2009

HITLER, CORÉIA DO NORTE E A NÃO INTERVENÇÃO

Com estes testes de foguetes, com a busca da tecnologia nuclear, a Coréia do Norte tem deixado muita gente com o sono mais leve.
Fico pensando na ascensão do Nazismo na Alemanha.
Quando Hitler subiu ao poder muitas de suas reivindicações pareciam justas.
A Alemanha fora derrotada na I Guerra Mundial e o tratado de Versailles, com sua mistura de cláusulas para impedir novas guerras, conseguir reparações para as potências vencedoras, como meio de vingança para reparar as humilhações sofridas pela França, principalmente, ajudava a criar um clima de revanche que o Adolfito soube aproveitar bem para mobilizar as massas.

O fato é que, desde que subiu ao poder ele começou a desafiar o tratado e os seus signatários.
Invasão de regiões desmilitarizadas, remilitarização da Alemanha e por aí vai.
Os demais países ficavam na base do protesto, de sanções, que sempre eram parciais e que não eram obedecidas por todos.
E o Adolfito avançando, avançando.
Quando desobedeceu ao acordo de Munich, que ele havia assinado e ele declarara como satisfatório, recebeu o cartão amarelo. Quando invadiu a Polônia recebeu o cartão vermelho.
Só que então pelo menos 100 milhões de seres humanos pagaram com a vida.
Até hoje se cobra de ingleses e franceses não haverem intervido para valer no início do processo, quando a Alemanha Hitlerista não tinha ainda meios de impedir efetivamente a ação dos Aliados.
Ingleses e franceses não queriam sujar as mãos, não queriam perdas de vida humanas, imaginavam conseguir apaziguar a fera, que ela tivesse bom senso. A idéia do “somos contra a Guerra” prevaleceu. O que se viu foi o contrário.
A insaciabilidade de Hitler só aumentava. Agora passava por cima dos tratados que ele mesmo havia assinado.
Hoje observamos a Coréia do Norte desafiar tratados e potencias. Não nego que ela tenha as suas razões. Como Hitler também as tinha. Mas como Hitler, e sua camarilha, os dirigentes norte coreanos não são flores de se cheirar.
E todo mundo fica na base do protesto, das ameaças de sanções e por aí vai. Inevitavelmente Coréia do Sul e Japão vão partir para um rearmamento mais efetivo. Daí, até uma centelha explodir a primeira bomba será um upa.
Novamente, alguns milhões morrerão, os pósteros vão reclamar de que não se interveio mais precocemente e os que hoje clamam por soluções pacíficas, não intervenção, etc. e tal, vão ficar calados, ou vão alegar que os que interviriam também não eram santos e veremos a História mais uma vez se repetir.
“Ave César morituri salutanti”

sábado, 6 de junho de 2009

DAS TOD - DAVID CARRADINE

Bueno, apesar de tudo, deve ter morrido sentindo prazer.
Talvez uma morte mais agradável do que "morrer de velho", cheio de dores e dos outros achaques que costumam acompanhar a chegada da Velha Senhora.
Não que com isto esteja a recomendar a prática do prazer pela sufocação, nem outras ligadas ao sofrimento, ou a lesões. Nem como método de suicídio.
Que aliás defendo como um direito para quem está lúcido, consciente, coerente e que, ao examinar o que lhe resta de vida e o seu momentum, chega a conclusão que é o melhor para si.
O curioso é que ao escrever este bilhete liguei no canal de músicas da NET, nas "clássicas"; estava tocando a Marcha Funebre, OP 35 do Chopin. Que para mim é uma das obras primas musicais.
Meu pai, que gostava de música, que entendia de música, dizia que era a mais bela encenação musical do fenômeno da morte para os que ficam.
O momento da dor, os momentos de nostalgia, os de alienação, aqueles em que o pensamento vaga alhures, e, finalmente, aquele da despedida.
Do "nunca mais..."

terça-feira, 2 de junho de 2009

Katyn (O Massacre de Katyn, o filme).

Um filme brutal, bestial, furioso, patético.
Mostra o que é viver sob um regime totalitário.

Não interessa de qual viés.
Você não vale nada.
Tudo pode ser usado contra você.
Mesmo na adesão você não estará seguro, pois pode aderir a um grupo que está forte e no poder hoje e que amanhã será exterminado por um motivo qualquer.
A Verdade é uma utopia e “verdades” são manejadas para servir a interesses do momento.
Ser verdadeiro, autentico, pode significar uma sentença de morte. Ser mentiroso também, pois você não sabe o que é a verdade de amanhã.
Um filme duro. Simplesmente isto. Duro.

O AMANTE

Vi outro dia um filme com o Antonio Banderas com este título. O filme confirma a tese do meu amigo, guru e especialista em relações homem/mulher, além de excelente cirurgião plástico, Renato Viera.
“O AMANTE É SEMPRE MELHOR”.
O marido pode ser honesto, trabalhador, sério, pode ser até melhor de cama que o amante. Mas perde para este.
Porque lhe falta poesia, sedução, a arte da surpresa, da novidade. Enfim, faltam-lhe estas coisas que parecem supérfluas, mas que na verdade dão o sabor, o colorido, “la creme” da vida.
Os Grandes Maridos são aqueles que conseguem ser maridos e amantes. Poucos conseguem. Dá trabalho. É um exercício continuo. Não tenho dúvidas que vale a pena.
Mas em tempos de imediatismos, de leis do menor esforço, do levar vantagem, embora seja só em curto prazo, poucos são os que têm capacidade de enxergar mais longe.
Depois se queixam do belo par aspas que as esposas, namoradas, lhes colocam na testa.
O pior é a reclamação, que é sempre a mesma.
-É uma filha da puta! Nunca deixei faltar nada dentro de casa! Nunca saí com outra mulher! Sempre tive a maior consideração por ela e pela família dela! E agora ela me apronta esta!

terça-feira, 26 de maio de 2009

UMA SITUAÇÃO QUE DÁ O QUE PENSAR

Marelise, estudante universitária, 22 anos, casada, Porto Alegre.
Dr. Carrion, quero ver se o sr. consegue me ajudar na confusão que está a minha vida.
Meu pai teve um caso com a mulher de um amigo dele. Apaixonaram-se e foram viver juntos. Acontece que eu sempre fui apaixonada pelo marido desta mulher e, apesar da diferença de idade ser grande, começamos a namorar, passamos a viver juntos e acabamos casando. Para piorar a situação descobri que minha mãe já havia tido um caso com meu atual marido. Por mim, tudo bem, mas ela acha que eu e ele ficamos juntos só por conta disto e não porque eu o amo.
O fato é que agora ninguém se dá com ninguém.
Sei que esta história pode parecer mentira, mas é a mais pura verdade. O diabo é que com tudo isto me sinto muito isolada. Tirando meu marido não tenho ninguém com quem conversar na família. O que eu posso fazer?
Frente a complexidade da situação, as tensões entre as pessoas, as mágoas, as sensações de traição, acho muito difícil que consigas fazer algo que leve a estas pessoas a se relacionarem bem. Casos como estes parecem ter como único remédio o tempo. E um tempo nada pequeno. No futuro, talvez todos consigam rir desta situação toda. Mas só no futuro. E, se conseguirem se dar conta que são seres humanos, que seres humanos podem tomar atitudes surpreendentes, inéditas, fora do comum, apenas por serem humanos e terem emoções, desejos, impulsos, que nem sempre se coadunam com a moral, ou com a lógica.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

SOBRE O BEM E O MAL

Desculpem-me a teologização, mas não tenho a menor dúvida que em Deus, se ele existir, o Bem e o Mal coexistem. Pois se Ele é o criador de tudo, terá também criado o Mal, mesmo que alguém me argumente que o Mal não foi criado pois é a ausência do bem. Mas quem permitiu que esta ausência fosse criada?
Por outro lado, se me falarem do livre-arbítrio, contestarei que quem cria um ser com direito a livre-arbítrio, está criando, pelo menos, a possibilidade do Mal.
A dicotomia Bem x Mal, Eros x Tanatos, ou outras, me parece absolutamente intrínseca ao ser humano, se não a própria Vida. Portanto, se existe um
criador, ele responde por Toda a Obra.
Como dizia meu amigo e filósofo diletante, Helinho Viégas. “No fundo tudo se resume a Sexo e Violência, o resto são apenas nuances destes dois”. Como dei umas pinceladas no conceito original dele, considero-me co-autor.
Mas por que estou a escrever isto? Neste espaço? Que foi criado para falar sobre o Amor e seus derivativos, prazer, sexo, beleza?
Porque nestes últimos dias uma série de notícias me chamou a atenção.
Crucificaram um sujeito numa parede.
Cortaram as orelhas de outro.
Mataram cinco em uma chacina numa cidade da Grande Porto Alegre.
Um assaltante dá um tiro e mata uma criança por que a babá não quis (provavelmente
paralisada pelo medo) desligar o alarme da casa.
Um sujeito após, o que parece ser uma discussão de trânsito, estupra, amarra em uma árvore e esfaqueia dezesseis vezes uma dentista.
Quero e vou continuar a escrever sobre sexo e prazer, mas não dava para ignorar o outro lado. Tava demais.

terça-feira, 12 de maio de 2009

UMA DE PAI CORUJA

Saiu sábado na Zero Hora


ARTIGOS
Ser filho da mãe (hoje), por Lúcia Pesca* e Pedro**
(O Pedro é meu filho - Carrion)

Diz o filho:É cansativo ser filho dessas mães de hoje, porque elas não dão moleza. Nós adoramos ficar sossegados sem pensar em nada, mas elas, por estarem sempre cheias de afazeres, não conseguem entender como isso é possível. Aí começam a nos alugar. A vida delas não tem mais espaço, de tanta coisa que fazem, então elas terceirizam a agenda para a equipe mais próxima, nós, os filhos. Acordamos com o famoso bilhete de “nossas” prioridades ao lado da cama. De faxineiros, office-boys, fazedores de supermercado, conselheiros sentimentais a mais dignificante função de técnicos de informática. Elas nos sugam toda energia do dia. Quando vamos para a academia ou faculdade, já estamos exaustos. Mas fazer o quê? O pior é vê-las cansadas no final do dia, às vezes reclamando, mas ainda querendo papo para saber como andam nossas vidas. Sabemos que o repasse de todas essas tarefas não é só pela falta de tempo delas, mas para não deixar que fiquemos acomodados em nossas vidinhas, nos ensinando, assim, a aceitar a conviver com responsabilidades e compromissos. Como se não bastasse a cabeça muito ocupada dessas mães, ainda aumentou a preocupação com a segurança de seus pupilos, vindo daí as frequentes frases, como: “Onde vais?”, “Pegaste o celular?”, “Como voltas?”, e nós aguentamos, controlando a vontade de nos rebelarmos, porque sabemos que essa ansiedade faz parte da profissão “mãe”.Definitivamente, ser filho da mãe hoje em dia não é mais uma ofensa, mas, sim, um aprendizado mútuo entre pais e filhos.Diz a mãe:Ah, os filhos de hoje! Estamos constantemente revalidando nossos valores através dos filhos. Aprendemos a delegar e dividir o que outrora fazíamos por eles e também a diminuir as culpas em não lhes dar tudo “de mão beijada”. Estamos conseguindo colocar limites com mais frequência, e aceitando os limites que eles nos impõem, como até onde podemos nos intrometer na vida deles (essa parte é bonita de dizer, mas difícil de fazer). Nós, mães, multifacetadas, reconhecemos que, para conviver com esse nosso jeitinho exigente e ritmo desenfreado, os filhos, de quem tanto cobramos – para o bem deles, é claro –, acabam amadurecendo mais cedo. É interessante perceber que não é mais pelas ameaças de perderem a mesada, o carro ou deixarem de ir à festa x ou y que eles atendem às nossas solicitações, mas, sim, por serem espectadores das nossas trajetórias de vida e nos admirarem. E veio daí a idéia deste artigo. Quando Pedro e eu conversávamos sobre o fato de que muitas mães não reconheciam essas atitudes de seus filhos como um agradecimento a elas. Portanto, obrigado, filhos, por nos darem a certeza de que nós estamos fazendo a coisa certa. Esse é o melhor presente que uma mãe pode querer no seu dia.Definitivamente, ser filho da mãe hoje é padecer no paraíso.
*Psicóloga **Filho de Lúcia, 18 anos

domingo, 10 de maio de 2009

RELAÇÕES ANAIS

Volto ao assunto por conta de vários e-mails.
Por exemplo:
Miriam, 32 anos, empresária – Dr. Carrion gostaria que pudesse falar um pouco sobre sexo anal. Os homens que me relacionei e os que várias amigas se relacionam, querem ter relações anais. Não morro de amores por este tipo de relação, embora algumas tenham sido muito agradáveis em muitas outras elas foram dolorosas e acho muito desagradável quando o pênis do homem aparece com marcas de fezes.
A pergunta é: O que fazer?
Miriam, quanto ao gostar, ou não, nada a fazer, é uma questão de gosto individual. Mas existem algumas regras que podem tornar estas relações mais prazerosas, ou pelo menos, não dolorosas.
DO HOMEM -
Não deve ser um bem dotado, pelo menos de calibre.
Não pode ser um apressado.
Não deve pensar no ânus como se fosse uma vagina apertada, portanto comportamento tipo desentupidor de pias está descartado.
Deverá usar sempre um lubrificante íntimo e camisinha.
Deverá aceitar que a mulher não quer e não ficar aporrinhando-a.
Se, na hora da penetração, ela se queixar de dor, deve parar de imediato.
DA MULHER –
Deve estar relaxada; numa posição confortável, de lado parece ser a mais indicada.
Não deve estar com vontade de ir aos pés, ou com diarréia, ou haver ingerido comidas picantes nas últimas 24 horas.
Deve fazer o homem respeitar o seu ritmo. Ou seja. Usando um creme começa fazendo carícias nas bordas do ânus. Depois o penetra lentamente com um dedo e, posteriormente, com dois. Esta penetração, além de lenta, deve ser feita em etapas, com idas e vindas bem vagarosas. Ensine-o que se sentir qualquer resistência muscular deverá esperar que esta se desfaça antes de progredir. Em caso de dor deve parar e só tentar alguns dias depois.
Correndo tudo bem, repetem as mesmas manobras com o pênis.
Se for um pênis longo, evitar o “enterrar até o talo”.
Fazendo tudo isto, espero que cheguem ao “enjoy it”.

domingo, 3 de maio de 2009

Trânsito x Gripe Suína

Até agora 25 mortos no trânsito no Rio Grande do Sul, no feriadão. Quantas mortes em todo o Brasil?
Quantos já morreram da gripe suína EM TODO O MUNDO?Continuo sem entender porque ela recebe tantas manchetes e o transito, proporcionalmente, tão poucas. Será que é porque as mortes no trânsito já são rotina?

POBRES MÃES

Com a chegada do Dia das Mães começo a ficar com pena das coitadas das mães.
Sim, porque com os comerciais que mostram mães maravilhosas, perfeitas, extremadas, ultrafelizes, ultra-realizadas e por aí vai, as mães de verdade, com as suas limitações humanas devem sentir-se um lixo.
A estas mães imperfeitas é que eu cumprimento. As perfeitas não existem.

TO OR NOT TO BE

Resolvi colocar este email e a resposta que eu dei porque ele fala de um drama humano que todos nós já passamos e vamos passar algumas vezes mais na vida até a chegada da Velha Senhora.



Em 02/05/2009 09:04, sophie <> escreveu:

Carrion querido estou escrevendo porque como já sabes, tenho muita dificuldade de tomar decisões e na verdade tenho receio de escolher um caminho e me arrepender depois, como já me disseste uma vez, sempre que eu escolher algo estou abrindo mão de outras coisas e isso é a vida, o fato é que estou na Escócia e não é simples se eu decidir voltar para o Brasil e depois ver que tinha que ficar mais aqui... Gostaria que me ajudasse a analisar os fatos...
Separação: como já deves saber me separei, mas foi tudo super amigável e continuamos ajudando um ao outro, visto que tenho minha passagem para o Brasil dia 28 de junho, decidimos por continuar no mesmo apartamento até eu ir embora porque é economicamente viável para os dois, ainda dormimos na mesma cama e continuamos com nossa rotina normalmente, ainda nos amamos porque afinal de contas são 11 anos e optamos por separação antes que o nosso amor que é tão bonito virasse ódio e nenhum dos dois quer isso...Tenho muito carinho por ele, mas às vezes penso que é um carinho de irmão por não sentir atração nem desejo, não sei se o problema é comigo ou é com a relação... Ele não queria terminar, mas estava esperando que eu dissesse que iria mudar e eu não disse...
Escócia: aqui é tudo maravilhoso, moro na praia e tem muitas lindas por todos os lados, a qualidade de vida é incomparável, tenho segurança, ando tranquila na rua sem medo de um levar minha bolsa ou colocar uma arma na minha cabeça ou invadir meu apartamento, aqui isso é 1 em milhões...Quando cheguei aqui não falava nada de inglês e trabalhava entregando pizza, agora já estou trabalhando na área como woman’s nurse e divido meus horários no outro emprego na fábrica que optei por mantê-lo porque pagam bem, os chefes são ótimos, o clima é agradável e posso fazer meus horários porque tenho moral e faço muito bem meu trabalho...O trabalho de woman’s nurse tb é ótimo a chefe me adora e não quer que eu vá embora e tenho certeza que se eu decidir por ficar aqui ela me ajudará, tb ganho bem e o melhor de tudo é que estou na área... Para eu ser médica aqui o caminho ainda é longo e terei que fazer várias provas, mas antes disso tenho que estar com inglês perfeito (ainda preciso melhorar muito) e depois estudar medicina em inglês para fazer essas provas...O fato é que aqui médico especialista ganha muito dinheiro e se eu chegar lá estarei feita da vida (mas longe da minha família e dos verdadeiros amigos)...Aqui também temos a possibilidade de viajar muito, é comum sair por uns tempos, viajar e quando voltar ter teu emprego de volta (quando se é bom trabalhador como eu hehehehe)... Mas se eu decidir que quero voltar tb tenho a possibilidade de ficar aqui mais um ano só juntando dinheiro para quando voltar para o Brasil poder montar um consultório ou dar entrada num apartamento, etc...Mas vivendo sem o Fábio, ou seja, praticamente sozinha...Claro que tenho amigos aqui e farei mais e tb quem sabe conhecer um Escocês hehehe...Mas o Fábio tb vai ficar aqui mais um ano e tenho dúvidas se não seria melhor voltar logo e começar a vida aí de novo com ele longe pq logo ele tb voltará... Ou quem sabe ficar com ele mais um tempo para ver no que vai dar...
Brasil: tenho medo de voltar e ver essa bagunça que é aí, perigo, burocracia, roubalheira, dificuldade para ganhar dinheiro, vou voltar para casa do Leão e da mãe pelo menos no início para economizar que tu sabes não será nada confortável, vou começar, bem provável, trabalhando naquelas clínicas do centro terríveis, ganhando uma miséria (mas vou estar exercendo minha profissão) e com o projeto de montar o consultório que tu sabes que não é fácil manter no início e nem ter uma boa clientela para pagar os custos... A mãe disse que vai me ajudar a montar o consultório e o Leão tb, inclusive ele já estava agilizando alguns contatos para tentar um emprego para mim...Tenho certeza que vou me dar bem aí tb, mas penso que não terei mais essa oportunidade de morar em outro país de novo e viajar o mundo porque logo quero me estabilizar e ter filhos...Tb sinto falta da família (mas queria ter meu cantinho/morar sozinha) e poder ver eles sempre, minhas amigas que amo tanto, fazer as unhas, do Carrionzinho que ilumina meus caminhos, do português, da medicina...
Não sei o que eu faço, a mãe está vindo daqui a 20 dias e vai me ajudar, mas queria ouvir a tua opinião também, estou muito confusa pq agora estou bem aqui...Mas tudo está se encaminhando para eu voltar pq depois que eu perder a passagem não posso no mês seguinte decidir voltar aí é para ficar até o ano que vêm...Tu podes imaginar como estou me sentindo, daquele jeito ACHO QUE TENHO CERTEZA HEHEHEHE... Queria ouvir tuas sabias palavras para dar um rumo na minha vida, claro que eu que tenho que decidir, mas please, diz o que tu achas... MUITO, MUITO OBRIGADO POR TUDO, SAUDADES, MILHÕES DE BEIJOS...


Quanto à separação a gente pode dizer, "que pena"; mas tem de se lembrar que todas as coisas humanas têm um dia um fim. Amizades, grupos, tesão (Oh! Que horror!), a vida. Acho, aliás, que todos os casamentos estão fadados a terminar, nem que seja pela morte de um dos parceiros. A Eternidade é apenas um sonho, uma utopia. O chato é que ela nos impede, muitas vezes, que aproveitemos a vida, pois ficamos nos guardando para algo que pode acontecer. Num relacionamento, o que realmente interessa é que ele seja bom, enquanto for possível. E que se o termine assim que tivermos certeza que ele é um doente terminal. Às vezes ele renasce. Mas é por que se o deixou morrer em paz.Quanto ao ficar, ou não, aí: Se eu for um masoquista, sempre vou me arrepender de alguma coisa no futuro. Deu algo errado?!! -Ah! Porque é que eu não fiz assim ou assado. O que a gente esquece é que, quando se decidiu, se decidiu pelo que parecia melhor, e nós só podemos decidir pelo que parece, não temos bola de cristal, ser o melhor.Ficando aí tens uma série de vantagens, e desvantagens.Vindo para cá, idem, idem.Aliás, achei as tuas ponderações muito bem feitas e maduras.Penso que qualquer uma das duas hipóteses é boa.Se fores uma mulher sentimentalmente mais fria. Fica por aí. Vai dar trabalho, mas ficarás rica, ou pelo menos bem de vida.Se fores mais afetiva, que é a impressão que me dás, volta e vêm gozar dos afetos, amizades, carinhos que tu sabes que vão te esperar por aqui.O que tu podes e deves examinar é: Atingistes os objetivos que tu tinha com o ir para a Escócia? Estes objetivos são atingíveis ainda? Valem a pena serem atingidos, no caso de tu não os haveres atingido ainda?Se tu atingiste estes objetivos, ou achas que eles não valem a pena o sacrifício, não perde tempo. Volta!A única coisa que eu acho é que, sob hipótese nenhuma, deves decidir em cima de uma passagem. Se for o caso de perder e ter de comprar uma nova, o valor é ínfimo em relação a tua vida.Quanto a alguém para ti. Seja aqui, seja aí, posso te garantir, não vai faltar. Tu és bonita, querida, inteligente, simpática, trabalhadora, afetiva, etc. e tal. E o tal amor não vem da vontade da gente. Ele vem, se instala, ou não, pode ser por um escocês, um português, até um argentino :-)), brincadeirinha, e curtem-no os que forem espertos.Espero então poder ter te ajudado.Um beijãoPodes continuar me escrevendo a vontade.Carrion

sexta-feira, 1 de maio de 2009

GRIPE SUÍNA

Como não sou um infectologista e nem um virologista, estou falando como um leigo.
141 doentes nos Estados Unidos (200 e picos milhões de habitantes), 331 em todo o mundo (alguns bilhões de habitantes), infectados pela gripe suína me parecem um número pequeno para todo este pandemônio que aparece nos noticiários.
Não estou dizendo que seja um assunto a ser ignorado. Não acho que seja algo a ser deixado de lado. Menos ainda que não se tomem providências. Mas me parece estar havendo um certo exagero.
Não seria o caso de um “boi de piranha”? De uma histeria coletiva?
Serei eu o Barrabás do Pär Largekvist, que está frente ao grande fato e o ignora?

quinta-feira, 30 de abril de 2009

TE MATARE RAMIREZ - Buenos Aires


Este é um restaurante http://www.tematareramirez.com/ que não serve para quem não tem espírito esportivo, ou não está tranqüilo com a sua sexualidade.
O cardápio é descrito em termos eróticos. Bem erótico.
Os shows são em cima de temas sexuais. Em termos verbais e gestuais, bem explícitos. Mas nada de interação real.
O problema que algumas pessoas não entendem o espírito da coisa e se chateiam com as brincadeiras.
Como um Eduardo (que não sou eu, obviamente) que se retirou no meio do show, por que a atriz, simulando uma transa gritava, Eduardôôooo... Pone-lo todo Eduardôôo... Me vas a matar Eduardôôo...
Ou seja, ao falar em sexo, numa brincadeira, com o tal Eduardo, mexeram em um terreno pantanoso.

EM DEFESA DOS POLÍTICOS CORRUPTOS

Perdoem-me senhores, mas aqui estou para defender os políticos corruptos, pelo menos aqueles que se reelegeram.
Corruptos são todos os que reelegeram os corruptos.
Corruptos são aqueles que votaram naqueles já condenados.
Corruptos são aqueles que fecharam os olhos para os fatos, para as evidências que aqueles políticos mostravam.
Depois reclamam, protestam, bancam as pobres vítimas do cruel destino que aqui me tens. Mas se esquecem da sua parte. Do voto que deram.
Já votei em incompetentes. Creio que já votei em corrupto. Mas agüentei no osso do peito. Malandro que é malandro não chia. Não sou malandro. Mas não chiei. Seria muita hipocrisia.
PS. Posso ser hipócrita, mas só um pouquinho. Tipo primeiro grau incompleto.

TROCA DE CASAIS, UMA EXPERIÊNCIA INÉDITA, OU A VIDA ME APRESENTA CADA UMA!

Antes que os mais apressadinhos cheguem a conclusões, digamos, precipitadas, quanto a este escrevente, sugiro que leiam o artigo até o fim.
Recebi alguns dias atrás o telefonema de um homem querendo saber se eu atenderia uma questão de casal e de sexo.
Disse que sim, que, aliás, é uma das coisas que eu mais faço.
Perguntou se poderia vir com a esposa.
-Por mim tudo bem, desde que ela estivesse de acordo.
-Não tem problema, ela também quer fazer um monte de perguntas.
Em outras épocas eu ficaria imaginando sobre o assunto que iriam perguntar. Com a experiência que os anos trazem a gente aprende que não vale a pena gastar tempo com especulações. Que o melhor é pensar no presente e deixar o futuro, como o Geisel dizia, a Deus.
No dia e hora aprazados eles compareceram. Bem vestidos, sem ostentação, ele 40 e poucos anos, ela quase no “enta”; boa aparência pessoal.
O que eles queriam saber era:
Onde e como encontrar parceiros para troca de casais?
Explicaram que já estão juntos há mais de 15 anos, não tem filhos, e que queriam ter novas experiências de vida. Fugir do convencional.
Conversei com eles sobre o que eu sabia de trocas de casais, sobre experiências de outros pacientes, ponderei sobre os prós e contras (Tendo o cuidado de não cair em moralismos.).
Mas a pergunta principal não soube responder, e aí pergunto para vocês:
-Onde é que se fazem trocas de casais, que não seja algo de risco, ou com prostitutas?
Ou seja, isto existe, muitos fazem, e eu, que penso ser um bom especialista, não sabe o “modus faciendi” concreto.
Por isto é que eu acho que, quando um sujeito diz que já sabe, que é um especialista, que não tem mais novidades e aí me cita “nada se cria, nada se acaba, tudo se transforma", eu penso que estou frente a um acomodado, mumificado, prepotente.

terça-feira, 21 de abril de 2009

RECOMENDO

Para quem quer aperfeiçoar o seu espanhol, o livro CABO TRAFALGAR, de Arturo Pérez-Reverte, é muito bom.
Além de uma descrição histórica e vívida da batalha de Trafalgar, bastante fidedigna, vista pelo lado espanhol, usa uma linguagem bem popular nos diálogos. E é nisto que ele é sensacional. Quem quiser aprender uma linguagem do dia a dia tem aqui uma ótima fonte de aprendizado. Eu recomendo. Imagino que numa tradução, se é que a fizerem, se perderá muito da alma deste livro.
Não tem conversa. Ou se lê em espanhol, ou nem vale a pena lê-lo. Como PS acrescento que também se aprende muito da linguagem náutica, com palo trinquete, velas cangrejas, bauprés e por aí vamos.

SEXO ANAL NO PAÍS DA HIPOCRISIA

Que somos uma nação de hipócritas, disto eu não tenho dúvidas. Alguns mais, outros menos. E nem vou dar uma de santo dizendo que eu nunca o fui.
Mas nunca deixo de me surpreender com as novas imposturas com que me defronto.
Uma publicação me pediu um artigo, assinado, portanto da minha responsabilidade, sobre a sexualidade do brasileiro.
Escrevi dois.
Um sobre sexo & amor e o outro sobre o sexo anal.
Agradeceram-me, publicaram o sobre o sexo & amor e me explicaram que o do sexo anal não se enquadrava no perfil da publicação, que se dedica à vida a dois.
Ou seja, queridos senhores e senhoras, na vida sexual do brasileiro que tem relações estáveis, não cabe o sexo anal. Portanto, imagino que não cabem uma série de outras variantes sexuais.
Puxa, que vida sexual monótona devem ter os casais brasileiros!
Deve ser por isto que tanta gente cisca fora do casamento, ou porque estes duram tão pouco!

UM DESENHO PARA A MORTE

Quando acordou pela manhã nada indicava que seria um dia muito diferente dos demais.
Levantou-se, fez suas abluções e foi para a sala de musculação do edifício para exercitar-se um pouco.
Em meio aos exercícios olhou-se no espelho e percebeu-se jovem.
Como por encanto as rugas e demais sinais da velhice haviam desaparecido. Subitamente sentiu-se revigorado. As dores e mal-estares desapareceram. Foi para a esteira para caminhar. Ligou o Ipod e entrou um trecho da Carmina Burana, Fortuna Juvat, para ser mais preciso, sentiu-se mais revigorado, ágil, satisfeito consigo próprio. A seguir veio parte da Nona Sinfonia de Beethoven. Num fragmento mais rápido sentiu-se melhor do que nunca. Uma sensação de exaltação tomou conta de si. Quase como se fosse o Rei do Mundo.
Encontraram o corpo uma hora depois.
O policial que fora chamado para atender a ocorrência, constatou o óbito e, ao observar que o de cujus estava com os auriculares em posição e que saia som deles, resolveu ouvir, para ver o que ele escutava. Neste momento tocava o sino da sinfonia Fantástica do Berlioz.
Nasceu ali o mito de que o falecido previra a própria morte.
Bobagem.O morto nem soube que morrera.

O MASSACRE

Até domingo ao meio dia, haviam morrido no Rio Grande do Sul 8 pessoas em acidentes de trânsito e 11 vítimas de diversas formas de violência, desde sexta à tarde quando começara o feriadão.Porque isto continua, feriadão após feriadão?

REFLEXÃO

Assisti domingo, pela terceira vez, no cine Cult o “Três Homens e um Destino – no original Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo”. Um western do Sergio Leone, com música do Enrico Morricone, estrelado pelo Lee Van Cleef e Clint Eastwood.
Mais tarde assisti o último 007.
Neste último filme uma sucessão de clichês, de efeitos especiais, correrias, mortes, explosões. As peripécias eram inverossímeis, e muitas vezes as cenas não se encaixavam, mas ali estavam para dar lugar a mais um efeito espetaculoso.
No anterior houve mortes em abundância, mas a história tinha coerência. Havia suspense e este durava um bom tempo até ser resolvido.
Ambos os filmes foram, são, sucessos de bilheteria. Ou seja, tem muita gente que gosta do 007 de agora, como tinha gente que gostou daquele western.
No western se via o filme, se tinha sentimentos e emoções e se era obrigado a pensar no trama.
No 007 se vê o filme e nele uma série enorme de cenas de ação. Não há espaço para pensamento ou reflexão.
Houve uma mudança enorme.
Me pergunto:
Mudou a maneira das pessoas pensarem, ou as pessoas (a massa) pararam de pensar, ou não mais querem pensar.Será que estou sendo apenas um saudosista, ou um constatador?