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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

MORTE & SEXO, um programinha light

Dr. X, 40 anos, médico, recém separado.
Dr. Y, 48 anos, médico, separado há uns 8 anos, boêmio.
Z, 42 anos, separada, advogada, dona de uma loja.
W, 31 anos, solteira, ex-modelo, trabalha com moda.

Local, primeiro uma conhecida churrascaria, depois apartamento de W, finalmente uma rua qualquer.

Y resolve tirar X de casa. Sabia do seu acabrunhamento com a separação, as dificuldades que está sentindo para se adaptar à nova vida, as ambivalências de X frente à separação e a esposa.
A Y Por outro lado lhe agrada a idéia de ter um parceiro para sair.
X topa, embora relutante. É convencido pelo argumento de que vão fazer um programinha light, apenas um reconhecimento de terreno.
Na churrascaria sentam-se em uma mesa situada junto a um ponto de passagem. Uns chopes, polentinhas fininhas, bem fritinhas. Pra distrair o espírito e o corpo.
Passam Z e W. Iam comer alguma coisa e dar também uma olhada no “monde”.
Z conhecia Y, de maneira que da uma paradinha para cumprimentar, um “ola que tal”. Fazem-se
as necessárias apresentações.
Y convida para sentarem juntos. O que é aceito. Aproveita para explicar a situação de X, que saíram para ele tomar um ar, prum programinha light...
W, que não tem nada para fazer depois e quer se divertir um pouquinho pede uma champagne.
E champagne para cá, champagne para lá, fica todo mundo mais leve.
Perto das 22hs, Z diz que tem de ir embora para fechar a loja no shopping. Não vai poder voltar porque tem de fazer uma série de coisas na loja.
Não sei se foi Y, ou W, que propõe saírem dali, pois já estão no local há um bom tempo e quer mudar de ambiente.

W propõe que se vá para a casa dela, pois dia de semana qualquer lugar que venham a ir vai estar a meia boca.
X vai como gato amarrado para banho, mas vai.
O apartamento de W é bonitinho, derrubou um quarto para aumentar a sala, que é bem decorada.
Ela entra, acende umas velas, porque “gosta do colorido da luz, do ar místico que o fogo cria” e põe um som dance e começa a dançar. À medida que dança se excita e vai tirando algumas peças de roupa. Pega um e outro para dançar com ela. Y vai, mas já tentando um certo agarramento, coisa que ela não recusa, mas dá um jeito de dar uma postergada. X se comporta como quem está encurralado. É a dolorosa imagem do desengonzamento.

W pega um baseadinho para ficar mais sensitiva. X e Y agradecem, mas recusam.
W se solta ainda mais.
Nesta hora está só de calcinha e sutiã. Não falta muito e está só de calcinha.
Pega os dois, e os obriga a ficarem junto dela enquanto dança. Alias não tem de fazer muita força para que Y faça isto. Já X...
Mais excitada ainda diz que quer ouvir uns palavrões, que ela é uma vadia, uma puta. Pede que lhe dêem uns tapas na bunda e
no rosto.
O resto podem imaginar...
Dois dias depois X volta para a esposa.
Questionado por conhecidos, conta a experiência e acresce:
-Se um programinha light é assim, imaginem o que viria depois!!!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

O PRAZER TEM DE SER CRIADO - capítulo VI

Aumentava a hilaridade do momento o comportamento do público. Homens babando. Homens fazendo de conta que viam aquilo todos os dias. Homens “sérios”, que faziam um ar de “que barbaridade”, mas não desgrudavam os olhos e não cediam lugar. Mulheres que aplaudiam. Mulheres se mostravam indignadas, algumas com a meninas, outras com o comportamento do seu homem e, por fim, algumas não escondiam a sua admiração pela audácia de outras mulheres, que estariam fazendo, penso eu, o que elas desejaram um dia fazer e não tiveram coragem.
O barco se afastou numa cena digna de um Fellini.
Ao final da tarde a van buscou as garotas e os rapazes se prepararam para ir embora.
D’Artagnan foi embora embrulhado em seu sofrimento. Ficaria assim por mais 6 a 7 meses, até que um psiquiatra, já havia percorrido vários psiquiatras e psicólogos, fez-lhe uma terapia do joelhaço.

A troco de que ele tinha que estar sempre numa má suruba com a mulher e o outro. Má suruba porque os dois ficavam fazendo o bem bom e ele era que tinha de ficar tomando no rabo.
–Tu não te dá conta bobo, que cada minuto, cada segundo, que tu ficas pensando na tua ex, tu não estás gastando em pensar ou fazer algo por ti!?
-Se é para sofrer vai numa loja de artigos gauchescos, compra um rebenque e fica, que nem estes fanáticos religiosos, a te dar rebencaços pelo corpo todo a toda hora!
Acho que uma intervenção destas não está nos compêndios de psicoterapia; mas que funcionou, funcionou.
Athos continuou a sua vida, assim como Portos.
Aramis mudou um pouco. Passou a criar mais situações para poder usar melhor a sua inventividade.
O Cisne Branco durante um tempo teve a sua lotação esgotada, depois, lentamente, as coisas voltaram ao normal.
O passeio pelo Delta do Jacuí nunca mais foi o mesmo. Sempre havia a esperança, secretamente cultivada, de que numa destas curvas da vida um bando de amazonas viesse trazer o inédito, o surpreendente.
Para os que assistiram de cima do navio ao espetáculo, ficou a expectativa de que uma outra vida era possível.
Aliás, esta é para os queixosos, lamurientos. Uma outra vida sempre é possível, pelo menos até o Alzheimer, a arteriosclerose, ou as demências senis chegarem.





FIM