domingo, 27 de maio de 2007

ESTRANHO PAÍS

A velocidade máxima é de 80 km/h, ou 60, ou 50, ou 40, ou ..., está escrito nas placas de trânsito.
Todo mundo teve de aprender isto para tirar a carteira de motorista.
Mas devem existir placas avisando que se está fiscalizando.
É como se colocassem cartazes na cidade dizendo. "Aqui tem dois policiais para ver se você vai roubar, ou assassinar, portanto se cuide! Não assassine ou roube aqui que estamos de olho.
Portanto, senhores assassinos e ladrões, assassinem lá ou acolá. Aqui é vigiado"
Agora dá nos jornais que a polícia vai fazer barreiras nas entradas e saídas de dez cidades para coibir o roubo de automóveis. Ou seja senhores ladrões nos próximos dias não roubem automóveis e muito menos tentem tirá-los destas cidades!
Não dá para entender.
Façam as barreiras, capturem os que forem para ser capturados e, só depois, trombeteiem na imprensa o que quiserem.
Mas, avisar ao criminoso o que se vai fazer para tentar prende-lo, me parece merecer o comentário que se faria em idas épocas:
É coisa de cabo de esquadra! Cáspite!

sexta-feira, 25 de maio de 2007

EU E A PENA DE MORTE

Vai e volta e alguém propõe a volta da pena de morte, a oficial, pois a versão pirata está no mercado em profusão e a muito tempo.
Vou dar a minha opinião.
Sou a favor da pena de morte.
Mas somente para aqueles que, reincidentemente, cometerem crimes graves, assassinatos com extremos de crueldade, estupros, violência contra crianças e incapacitados, tráfico de drogas, serial killers et caterva.
Minha idéia se baseia no seguinte.
Não acredito na pena de morte como elemento inibitório para celerados. Só os não facínoras é que se assustam com a idéia da chegada da Parca. As pessoas soem imaginar que os pulhas pensam como elas. Isto é bobagem. Se assim o fosse, não seriam eles perversos, ou seríamos nós os iníquos.
A pena de morte teria a função de eliminar um problema, um risco, uma despesa do estado que poderá empregar este dinheiro para a Saúde ou para a Educação, onde há possibilidade de haver um retorno positivo. Além de se evitar mais um foco de rebeliões, fugas, massacres.
A razão dela só ser aplicável em reincidentes, e não apenas por conta da gravidade de um crime isolado é para que se evitem os erros judiciarios, para errar seria necessário falhar duas vezes. Por outro lado, um ser humano pode, num momento da vida, cometer um crime hediondo e não repeti-lo nunca mais. Porém, um que cometa um crime terrível, que seja capturado, punido e volte a delinquir no mesmo nível, em termos práticos é irrecuperável. Só acrescentará despesas sem retorno.
E, para os que me vierem com o lero-lero de que uma vida é sagrada, eu responderei que deixar certos indivíduos vivo é apenas uma maneira condenar outros a morte. E, se me falam que isto é uma mera possibilidade, eu retrucarei que a vida, a realidade, mostram que isto ocorre num número que supera, em muito, o número de vidas poupadas pela não aplicação da pena de morte.
Também se condenam a morte inocentes quando as verbas que poderiam ser aplicadas em tratamentos médicos, que podem ser caríssimos, são aplicadas em viagens do Fernandinho Beira Mar, ou na manutenção de um preso per omnia seculum seculorum.
Finalmente, o nosso medo em nos tornarmos assassinos legais nos inibe, deixando o campo livre para os homicidas continuarem a sua faina.
A imprensa dá eco aos protestos daqueles que dizem fulano demorou x tempo para morrer. O que ninguém diz é que a pessoa depois de um choque de milhares de volts, ou de uma dose brutal de secobarbital, mais cloreto de potássio e curare, ou de ter o corpo perfurado por uma dezena de balas, ou de ..., ... não tem a menor noção do que se passa com ela. É o que ocorre quando nos submetemos a uma anestesia (não confundir com analgesia ou sedação), ou a um eletrochoque. O paciente refere que simplesmente apagou, não havendo sequer tido a noção de que perdera a consciência.
Por isto sou a favor da pena de morte.
Para reincidentes de crimes gravíssimos.

MAIS UMA CATILINÁRIA

Novos escândalos, novas indignações, novos pedidos de providências, novas propostas de CPIs, o vilão de ontem surge como o denunciador de hoje, as leis continuam a favorer a impunidade, mas eles é que não serão loucos de mudá-las.

Lembram dos ANÕES DO ORÇAMENTO? Na prática, alguém está preso. Alguém devolveu algum dinheiro para as burras públicas?

Quantos escândalos vieram a seguir? Tirando meia dúzia, se tanto, que foram cassados, alguém sabe me informar de punições concretas? De processos julgados, executados e encerrados com uma punição efetiva do malandro da vez?
Li que o José Dirceu foi absolvido em três processos. Ora, ou ele é culpado e quem acusa, ou julga, é incompetente, ou quem o denunciou cometeu um crime e vai ficar impune. Neste intermezzo, o nosso dinheiro volatizou-se e um pulha qualquer está a tomar o seu flutte com talvez o último caviar beluga ainda existente.

Será que ninguém se flagra de que as nossas leis são ineficazes para quem tem poder e bons advogados? E que, se nada for feito, nada acontecerá?

Nesta hora me dou conta que o bandido da Holanda do século XV, retratado por Heronymus Bosch, continua vivo, só que muito mais sadio, bem vestido, e bem sucedido. E nós continuamos a ser os mesmos incompetentes, babacas. E tudo porque temos medo de mudar, de nos impormos.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

QUAL SERÁ A RAZÃO?

Dia destes fui surpreendido pela notícia nos jornais que diziam que alguém propusera que se gratificassem os alunos carentes, que passassem de ano, com a quantia de R$240,00.
Fiquei eu embasbacado, sim, porque eu ainda consigo ficar azabumbado, atólico, boquiaberto com algumas coisas brasileiras que vejo estampadas nas manchetes.
Passei a matutar. Quem teria tido esta estapafúrdica idéia?
Um ingênuo inocente, bem intencionado, se é que ainda os há nestas terras brasilis? Ignora ele que os professores são ameaçados, quando não espancados porque o rebento se saiu mal nas provas ou voltou para casa com queixas? Qual professor teria peito, cojones, para reprovar um aluno?
Um astuto caça-votos? Que sabe que quando alguém é carente é mais facilmente subornável?
Um corrupto, que se deu conta que se criar 10000 alunoscarentesaprovadosnopapel, o que, visto o que ocorre no dia a dia, deve ser a maior barbada, embolsa fácil DOIS MILHÕES E QUATROCENTOS MIL BAGAROTES com um risco de punição quase zero?
Um destes Técnicos em Ensino, formado pela Universidade de Araque, que imagina que se termina analfabetismo por decreto, quando o que conseguem é aumentar a legião dos analfabetos funcionais.
Total, todo mundo sabe que formar bons professores, dar-lhes condições de trabalho adequadas, remunerá-los condignamente, é bobagem. O que funciona mesmo é um projeto de lei, bem utópico. Ou um decreto maravilhoso. Quiçá uma simples norma, ou portaria normativa, já seja mais do que suficiente para erradicar o analfabetismo.
Mania que alguns tem de achar que só se conseguem coisas bem feitas à custa de trabalho.
Não estamos nós no país do jeitinho, da malandragem, do levar vantagem?
Trabalho é para nós, os ingênuos, incompetentes em maracutaias. Nós que só protestamos, lançando palavras ao vento. É provável que razão tivesse o Barão de Itararé.
Negociata é um bom negócio para o qual não fomos convidados!

MEU PORTUGUÊS

Antes que alguém pense que troquei de time esclareço que não. Não por uma homofobia. Apenas porque não troquei e porque homens não me atraem.
O português de que falo é o da língua.
Chegam-me comentários, diria críticas, se é que um ser tão perfeito como eu pode ser criticado, por usar palavras raras ou vetustas.
Esclareço que não faço isto por ser um fóssil, um snob. Faço-o pela singela razão de que tenho prazer em escrever certas palavras. Ou brincar com elas. Ou com as próprias regras desta gramática que me parece, frequentemente, obtusa.
Sou um peralvilho que se maravilha com sílfides, que se enleva com pulcretudes, que se extasia com a sonoridade, ilecibrice e blandícia da palavra bunda.
Algumas palavras são para serem ouvidas como jóias antigas. Não são para serem usadas amiúde. Devem vir à luz só ocasionalmente.
Outras, servem para despertar o pasmo, o enlevo, o arrebatamento, pelo extraordinário, e bizarria que elas expressam ou do que imaginamos que elas expressem.
Ou seja, as palavras também são como pequenos brinquedos que uso para folguear. E eu gosto muito de brincar.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

UMA DICA para um FIM DE SEMANA PÚRRIO e ESPIGAITADO



Um dos problemas mais comuns do lazer é a rotina.


Fim de semana e lá estamos nós nos mesmos lugares. Só muito ocasionalmente nos arriscamos a fazer algo diferente. O que é uma pena e empobrecedor.


Este fim de semana conseguimos fazer algo diferente. E valeu a pena. E não foi sexo, viram suas mentes poluídas e pecaminosas.


Fomos a serra, mas fora do tradicional circuito Gramado/Canela.


Andamos por Bento Gonçalves, Garibaldi e pegamos uma estrada que é chamada Caminho de Pedra, no sentido de quem vai em direção a Farroupilha/Caxias do Sul. A estrada é asfaltada e a paisagem muito bonita, com casas do início da colonização italiana (Passa-se, por exemplo, pelas casas em que foi filmado "O Quatrilho").


As matas, enfeitadas pelos amarelos, laranjas e vermelhos do outono, são um espetáculo a parte.


Num determinado ponto termina o asfalto e começa uma estrada de terra, mas em boas condições.


Pois pouco depois dali, à esquerda, tem uma casa de madeira, estilo colonial italiano que abriga um tear no térreo e um restaurantezinho no primeiro andar.


Aqui começa a verdadeira aventura. A Vanni, que é a dona do restaurante, apropriadamente chamado de CASA VANNI, o conduz com maestria. Mostra que a sofisticação não precisa ser algo cheio de frescuras e rococós.


O ambiente é simples, acolhedor, mas tem uma finesse d'alma que chega a ser comovedor. Árias italianas criam um decór sonoro que põe no chinelo muita cantina metida a besta. As massas e seus molhos são as mais tradicionais possíveis, mas feitas com tal qualidade e cuidado que merecem o nome de artesanal. Para coroar tudo isto, das janelas se descortina uma sinfonia de cores que serve de coro a musica italiana do restaurante.


A conta lembra uma propaganda de tempos idos que dizia: "Os preços são do tempo da vovó."


Eu e a Débora não gastamos 25 mil réis, os dois, para atender a um apetite dionisíaco.


O endereço oficial é Linha Palmeiro 795, Bento Gonçalves, tel. (54) 34556383.


E não estou fazendo jabá.

OUTONO, CORES E NEVE




Se nevasse na serra gaúcha, como anuncia a imprensa, veríamos mais neve por aqui do que na Suíça. Desconfio que a idéia de que vai nevar, ou vende jornal, ou atende a interesses publicitários.
Este fim de semana estive na serra. Minha mulher tinha uma atividade e eu fui de principe consorte. Mais com sorte do que príncipe.
Não precisa nevar. O colorido outonal é maravilhoso. As fotos que vem aqui são um testemunho disto. A gente até se sente civilizado.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

O PODER E AS MULHERES




Adoro ler. Me criei lendo. Livrinhos com coelhinhos, porquinhos, e outros bichinhos. Alias, não sei porque os autores infantis têm tanta mania de colocar tudo no diminutivo. Ainda criança achava isto uma idiotice. Agora tenho certeza de que é uma idiotice. Mais ainda, uma idiotice completa. Mas voltemos ao principal. Li Pato Donald, Ziraldo, Monteiro Lobato e fui lendo, lendo, lendo, do profano ao sagrado, do óbvio ao bizarro, e assim por diante.
A leitura de biografias e História me fascinavam e me magnetizam ainda hoje. Política, religião, história militar, o ver o Poder crescer sempre foi para mim algo sedutor.
Por outro lado sou um apaixonado pelas mulheres. Acho-as a quinta-essência da Grande Criação.
Acho que os outros homens, ou pelo menos a grande maioria deles, deve pensar do mesmo jeito. Pois não deve ser à toa que os sistemas políticos, religiosos, são construídos de maneira tal que alijam as mulheres de qualquer posição de mando, a menos que elas aceitem perder a sua feminilidade e sexualidade.
Acho que isto se deve ao temor que temos do seu (delas) poder.
Porém, o surpreendente para mim é a colaboração das mulheres para isto.
Há muito tempo não se via alguém tão reacionário como o atual papa. Algumas igrejas neopentecostais são machistas a mais não poder. Outras religiões centram o poder nos homens de uma maneira descarada. E as mulheres, muitas vezes, são as que mais apoio dão a estas posturas, constituindo também a grande massa de manobra.
Não acredito que isto se deva unicamente ao temor, ao sistema, a educação. Não sei ainda definir uma razão mais clara e explicativa. Mas devem existir algumas razões muito profundas para isto. Quem souber que me elucide.

UM CRIME DE MESTRE ou A PRAÇA É NOSSA ou E A CRIATIVIDADE ONDE FICA?



Fui assistir UM CRIME DE MESTRE, com o Anthony Hopkins. Um filme policial que se vai desenrolando de um modo sui generis. Mas as cenas finais nos levam a um final americano. Decepcionante.
O que me fez sair duplamente irritado.
Primeiro porque se cria a expectativa de algo novo, que acaba não acontecendo.
Segundo, porque se é para ver algo repetitivo, A PRAÇA É NOSSA e a ZORRA TOTAL, são de graça. E se é para ser tratado como imbecil, que se seja tratado como um imbecil completo.
Neste filme, como em tantos outros, ou novelas, ou peças teatrais, o criador vai indo muito bem, mas, no final, falta-lhe a coragem de dar um desfecho cru, dolorido ou doloroso. E lá vamos nós para a velha história de que os bons vencerão e os maus serão punidos, estando Brasília aí para desmentir.
Diógenes andava nu, com uma lanterna na mão à procura de um homem. Não chego a tanto. Mas lamento que a tantos artistas falte o culhão necessário para não ter medo de mostrar o que tem vontade de mostrar, e não um conto da carochinha repetitivo. A não ser que a grande maioria dos autores sejam piegas, o que me deixaria desconsolado a respeito da Humanidade.
A título de consolo, os 90% iniciais do filme são muito bons.

domingo, 13 de maio de 2007

ABSTINÊNCIA, VIRGINDADE, CASTIDADE, ou VAMOS APROVEITAR A VIDA?

Na semana que passou foram tantas as loas, ditirambos, exortações, a respeito da restrição do prazer sexual, que me vejo aqui, como lídimo representante do hedonismo, a também dar minha opinião e testemunho.
Como muitos devem saber, sou de Sant’Anna do Livramento. Por isto, alguns cacoetes machísticos no meu modo de ser. De maneira que, não sei, muitas vezes, se o que expresso é apenas uma manifestação tardia, e elaborada, do porco chauvinista (Ah! Anos 70!!) que subsiste em mim, ou apenas a opinião de um ser do sexo masculino heterossexual.
Digo isto para que possam entender um pouco das minhas opiniões e posições.
Também passei por tempos de virgindade (Que estava louco para perder.), castidade (Um ou outro surto pré- adolescêntico, no qual tentava desenvolver uma fé religiosa. Tarefa em que fracassei vergonhosamente.) ou abstinência (Esta por conta de que as mulheres da minha geração custaram a dar para quem não era muito malandro, o que era o meu caso, ou por períodos (Felizmente breves.) em que estava envolvido em atividades que me privaram de uma atividade erótica, sexual, sensual, amorosa carnal.)
Não senti que esta experiência, de por a sensualidade de lado, me tenha feito crescer, em nada. A não ser em pensamentos e desejos que seriam considerados, pelos que pregam aquelas atitudes de repressão, como um salvo-conduto para o Inferno.
Por outro lado...
Que sensação maravilhosa a de amar uma mulher.
De desejar uma mulher.
De tocar em uma mulher.
De ficar acariciando-a horas a fio, num êxtase sensorial.
De abraçá-la.
Beijá-la.
Tocá-la em toda intimidade.
Penetrá-la.
Gozar nela, e com ela.
Vê-la sentir prazer.
Vê-la exprimir o prazer.
Vê-la gozar.
Digam-me senhores amigos meus. Existe prazer maior que este? Já experimentaram prazeres comparáveis estes, a não ser em momentos episódicos e fugazes (O céu em campanha, numa noite sem lua, em que a quantidade de estrelas parece infinito e que pode nos esmagar a qualquer momento, nos lançando frente ao infinito do incomensurável. O chegar a Livramento em uma certa madrugada, altas horas da noite, e perceber que o perfume dos jasmins e das madressilvas se misturava ao do pão que acabava de ser feito. Entrar no Teatro de Manaus, no meio da tarde, numa hora em que o supunha vazio e ser surpreendido por um quarteto de cordas que ensaiava une kleine natch musik? – Corrijam-me o alemão se necessário for.)?
A menos que eu esteja completamente errado, não chega quase a ser um crime incitar as pessoas a não terem um prazer, apenas porque quem incita tem medo deste prazer, não se permite ter este prazer. Tem este prazer, mas sado-masoquisticamente nega-o a si e tenta evitar que os outros o tenham?
Se Deus existe, não será este o maior, o mais ignominioso, dos pecados. Um atentado a Sua criação Maior. Talvez uma tentativa de deicídio, porque pode ser que Deus seja a própria Vida?

sexta-feira, 11 de maio de 2007

O PAPA, A CASTIDADE E O PRAZER

Frente ao apelo de Sua Santidade, que imagino puro e imaculado, embora tenha passado pela Luftwaffe, para que os jovens se mantenham castos, sempre lembro. Se não existir o tal de céu, vão ter perdido um bom período de sexo.
Quanto aos que amo, eu os exorto.

ANTES GASTO(A) DO QUE CASTO(A)!!!

quinta-feira, 10 de maio de 2007

É ISTO QUE DÁ DEIXAR QUEM NÃO ENTENDE DA MATÉRIA FALAR


“O sendo do descartável do ‘ficar’, que era próprio das
garotas de programa, é hoje vivenciado pelas adolescentes.
O problema é grave e atinge adolescentes e pré-adolescentes.”
Dom Dimas Lara Barbosa, porta-voz da CNBB

Citações do dicionário Houaiss
GAROTAS DE PROGRAMA
mulheres jovens que se prostituem, um eufemismo para putas
PROSTITUIÇÃO
atividade institucionalizada que visa ganhar dinheiro com a cobrança por atos sexuais e a exploração de prostitutas
2 meio de vida principal ou complementar de prostitutas e prostitutos
3 o conjunto dos indivíduos que se prostituem
FICAR
Regionalismo: Brasil. Uso: informal.
manter com (alguém) convívio de algumas horas, sem compromisso de estabilidade ou fidelidade amorosa
Ex.:
intransitivo



Embora nem sempre o especialista seja o sujeito mais indicado para dar uma opinião, freqüentemente ele é absolutamente indispensável para faze-lo.
Dom Dimas nos dá uma lição irretorquível de que, quando uma pessoa não entende de algo. deveria abster-se de dar qualquer opinião, publicamente, sobre o assunto (Defendo-lhe o direito de ter sua opinião pessoal, para os seus íntimos ou prosélitos.)
Por outro lado, seu discurso, e o dos seus correligionários, lembra em muito aqueles de São Paulo, Santo Agostinho e outros menos qualificados, que venderam suas idéias a idéia, dizendo que era de Deus, de que sexo, e seres do sexo feminino, eram coisas sujas, feias, pecaminosas, que melhor seria se não existissem. Desnecessário dizer que os homossexuais seriam, para aqueles e estes Pais da Igreja, os seres mais abjetos que habitam este mundo. Enquanto foi possível, queimaram-nos. Quando isto não mais foi possível, aviltaram-nos.
E ainda pregam amor ao próximo.
Entendo...
Desde que o próximo seja igual e submisso a eles.
Êta gentinha ardilosa e perigosa. Por isto é que amam os pobres de espírito.
Vade retro Satanás!!!




quarta-feira, 9 de maio de 2007

DEUS E O DIABO, ou aproveitando a vinda do Papa ao Brasil



(Para visualizar melhor a figura, clique em cima dela.)


Este comentário é baseado em duas premissas.
DEUS existe; e DEUS é onipotente, onisciente e onipresente.
Se no início só existia DEUS, de onde surgiu o DIABO?
De duas uma, ou DEUS e o DIABO são efígies diferentes da mesma moeda, ou foi DEUS quem criou o DIABO.
Se me disserem que existe um demiurgo aí, ou que o DIABO é pura e simplesmente a ausência de DEUS, isto não modifica em nada o raciocínio básico. Pois DEUS é o responsável pelo demiurgo, ou pela SUA, dele DEUS, ausência.
Por isto, quem de mim discordar, por favor, me indique de onde vem o DIABO.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Romário e EU

Graças a vocês acho que vou chegar ao 1000 antes do Romário.

YO NO CREO EN BRUJAS, PERO, QUE LAS HAY,


Sou um descrente no que diz respeito a religiões, supertições e outras coisas do estilo. Mas de vez em quando sou surpreendido por algumas coisas. Me fazem pensar que deve existir algo mais, nada de esotérico, apenas algum tipo de fenômeno físico/químico que ainda não entendemos.
Mas, até entender, não tem como evitar que um eu primitivo, que existe dentro de mim, procure uma resposta mágica.
Pensei nisto ao ler sobre um episódio da II Guerra Mundial.
Mussolini havia sido deposto e levado para um local secreto. Hitler, que queria coloca-lo novamente no poder, mandou que se fizessem todos os esforços necessários para localiza-lo. Para isto mobilizou a Gestapo, serviços de segurança, vias diplomáticas, traidores, colaboradores, cartomantes e videntes (Estes por sugestão de Himmler.)
Como a cartomancia e outras formas de previsão do incognoscível haviam sido banidos do III Reich, foi necessário procurá-los nos campos de concentração.
A surpresa, é que: -Assim, os médiuns foram postos para trabalhar no caso. Como veremos adiante, as informações que eles produziram, como que por encanto, revelaram-se admiravelmente precisas... Hitler’s raid to save Mussolini – Greg Annussek, 2005, citando Goebbels, Kesselring, Schellenberg, Skorzeny, Student em suas memórias.
E ai, que me dizem, existem ou não bruxas?

domingo, 6 de maio de 2007

A ECOLOGIA E OS GRANDES

Deixai aqui toda a esperança, ó vós que aqui entrais.
Dante, o Inferno

Li sobre perspectivas do mundo por conta da poluição e do aumento do CO2, que aumentam o efeito estufa, que modificará em muito (já está modificando) a temperatura da Terra e o Efeito Estufa.
Como os dois maiores poluidores, China e Estados Unidos, se recusam a tomar medidas mais drásticas, em curto prazo, acho que a paciente Terra vai continuar piorando.
Os EUA não deverão fazer nada enquanto a água não lhes encostar na bunda, o que deverá demorar ainda um bom tempo, por conta dos recursos tecnológicos que dispõe para soluções parciais e imediatas. Aceitar baixar o nível de conforto, passar sacrifícios, não é uma coisa aceitável para a Sociedade Americana, pelo menos a médio e longo prazo.
A China, agora que encontrou o caminho do desenvolvimento(?), e do poder, não deverá abrir mão do progresso (?), até atingir um nível que a iguale as outras potências.
E tem outros países mais, entre eles, o Brasil, a Índia, a Rússia, a Ucrânia.
Ou seja, hay que continuar peleando, pero que la cosa está fea, está!Ou como diríamos lá na minha Macondo.
Tá mais feia que taio em bunda!!!

PADRE ANCHIETA

Quando guri, na minha Macondo, sempre que se falava em um santo brasileiro, se falava na eminente canonização do Padre Anchieta.
Era uma coisa de detalhes. Coisa pra logo ali.
Mas acabamos tendo a santinha que nasceu na Itália e fez milagres em Santa Catarina e agora este santo genuinamente nacional.
Ficam-me algumas idéias.
Que paisinho (Quem souber como se escreve esta palavra me ensine, pois não a encontrei em dicionário nenhum.) pecador este nosso que, em 500 anos, conseguiu gerar só um santo, sendo a MAIOR NAÇÃO CATÓLICA DO MUNDO (sic).
Que fim levou o Padre Anchieta como santo?
(At last. Porque ele sempre foi mais famoso que o Padre Manoel da Nóbrega?)

SOBRE A NACIONALIDADE

Se uma pessoa nascer em território brasileiro, ou filho de brasileiros for registrado em um consulado brasileiro, será considerado brasileiro.
Se um uruguaio nascer no Uruguai, ou for filho de uruguaios, nasça onde nascer, será uruguaio.
Se um sujeito nascer em alto mar, poderá também ser da nacionalidade da bandeira do navio ou do capitão do navio.
Venho propor mais uma possibilidade.
Se um sujeito for gerado em um país, desde que os pais possam provar, o que hoje em dia é possível em muitos casos, que o conceberam naquele país, ele pode receber aquela nacionalidade.
Total, cá pra nós, o momento em que um sujeito é formado deveria ser mais importante do que o lugar aonde ele vem ao mundo.
Mas o por que desta minha proposição? Por nada. É domingo, está chovendo, o Grêmio está saindo campeão do ruralito, e eu estou esperando a hora de ir dar um beijo no meu filho que amanhã vai cumprir mais uma etapa do serviço militar.

EDUCAÇÃO E CRIMINALIDADE

Quando leio que a solução para o problema da criminalidade que viceja, abunda e açoita o nosso país depende da Educação, fico a pensar.
Ou eu sou ingênuo e ignorante, ou os outros é que o são.
Ou eu não sei ler o que o mundo me mostra, ou são os outros é que não sabem.
Ou eu sou um pessimista de carteirinha, ou os outros são otimistas delirantes.
Claro que acredito nos valores da Educação. Da necessidade de Educação. Mas da Educação em sua concepção mais integral, mais ampla possível. Como cita Flávio Josefo. Nosso país todo mundo sabe a Lei. Antes mesmo de aprenderem a ler, já lhes é ensinada a Lei. Não é como nos outros que, só quando o sujeito comete um crime é que ele vem a saber o quanto aquilo é delituoso e punível. (A tradução é minha e dependeu da minha interpretação.)
Mas, enquanto não se ensinar as normas de convivência, E SE AS FIZER CUMPRIR, o resto é balela. O sujeito utilizará os seus conhecimentos, só para usar a expressão em voga, para o mal.
Será um criminoso mais educado, refinado, talvez sutil. Mas nem por isto menos criminoso.
Dos lugares que conheci, nenhum era seguro sem uma boa dose de repressão, castigo. Claro, as punições sujeitas a regras, normas, conceitos, bem claros e definidos. Nada de deixar ao livre arbítrio, ao bel prazer de um tiranete, às necessidades momentâneas de uma oligarquia caprichosa. E muitos destes lugares tinham um nível de alfabetização, e econômico, inferior ao nosso. Mas faziam cumprir a Lei.
Esta história de um único remédio, para solucionar problemas tão complexos, sempre me dá uma sensação de enfaro. É querer resolver as dificuldades da vida por slogans.

terça-feira, 1 de maio de 2007

DOS TEMPOS DE JUVENTUDE


Final de tarde, calle Sarandi, Rivera - Uruguay, ano 65 ou 66, início do verão.

Um grupo de guris, na faixa dos 15 a 17 anos, classe média, em vésperas de terem de ir para Porto Alegre para fazer vestibular, sentindo-se la crème de la crème, sentados na Confiteria City, numa das mesas da rua, tomando uma Patrícia, ou "cueca-colas", ou Mandarina Urreta, talvez até uma Crush. Deste ponto estratégico via-se bem a gurias que faziam o footing, ou o corso.

Muitas das que passavam recebiam algum, ou alguns, comentários; naquela linguagem fina, rica, preciosista, que ainda hoje caracteriza a nossa intelligentsia vestibulárica .

-Tchê lôco, esta anda que nem coruja de corredor, de pau em pau!

-Mas bombeia só aquela percanta**! Mais facera que milico em desfile!

-Olha só que rabo, aquela com um pau no rabo deve coleá mais que traira no anzol.

-Mas eu com uma dessas montava uma carniceria. Que abundância de carnes! Tchê Fulano, se tu te zambulla nas pernas dela tu morre de afogado!

-Mas oia só aquela gatúvela***, nela eu me agarrava que nem carrapato e só soltava morto.

-Esta aí é uma bunda de pingüim!

E por aí ia aquela tertúlia sociocultural descompromissada, quando desponta a filha de um dos estancieiros mais ricos das nossas plagas àqueles tempos. Coisa de uns 10.000 hectares, povoados! Só que não era moça muito prendada pelos atributos de Afrodite. Antes que um de nós soltasse uma frase avassaladora, o Beltrano, que dava umas tenteadinhas nela, comenta.

-Que campos! Que gado! Mas que plantel de oveja!


*Caminho ladeado de cercas de arames, do interior do interior, para ter-se acesso às estâncias. **Mulher tida como meio bagaceira, chinelona.
***Mulher jovem, bonita, mas sem muita classe. Um ou dois graus acima da percanta, na classificação dos idos tempos.
*

domingo, 29 de abril de 2007

A MINHA MACONDO

Muitos já leram Cem Anos de Solidão, do Garcia Marques. Muitos mais ouviram falar de Macondo, a cidade onde se desenrola o romance. É uma cidade que não existe, mas, pela força de Garcia Marques, passa a existir. Então, graças a isto, sabemos onde ficava a Igreja, a Prefeitura, a casa do coronel Aureliano Buendia; que a cidade tinha gerador próprio, que tinha tais lojas de comércio e assim por diante.
Eu nasci e me criei em Sant'Anna do Livramento; saí de lá aos 17 anos de idade para vir estudar em Porto Alegre. Desde então tenho vivido aqui.
Um dia destes estava eu, e alguns amigos lá de Livramento, aqui em Porto Alegre, a falar de tempos passados.
Abordamos o fato, idéia, sensação de que, apesar de vivermos em Porto Alegre há mais de trinta anos, no mínimo, não nos sentíamos identificados com esta cidade. Nos limitávamos a morar aqui. Embora ninguém pretendesse se mudar, ninguém tivesse um lugar dos sonhos para morar, nenhum de nós confessou um amor especial para com Porto Alegre. Mantemos, digamos assim, uma relação amigável e de respeito.
Por outro lado, cada vez que íamos a Livramento, voltávamos de lá com o coração confrangido pela sensação de decadência que a cidade, como toda a região do pampa, exala. Esta Livramento que visitamos ocasionalmente lembra muito a Livramento que guardamos dentro de nós. Mas, decididamente, não é a mesma.
Passamos a nos dar conta que somos apátridas. Que a nossa Cidade existe só na nossa memória. Que não existe a nossa Cidade Natal real. Que construímos uma Macondo dentro de nós.
A NOSSA MACONDO! Que esta é a nossa Cidade Natal.

AINDA SOBRE O SUICÍDIO

Como os artigos sobre suicídio acabaram tendo muito mais repercussão do que eu esperava, quero aqui trazer dois fatos, ponto de vista, sobre o suicídio para, em algumas situações, vejam bem somente algumas situações, ele possa não ser encarado como uma doença.
Uma delas é de um dos Vargas que dizia:
- Um Vargas não pode determinar quando vai nascer, mas pode decidir quando vai morrer.
Me parece que os dois Vargas que se suicidaram (Getúlio e o filho, ou neto.) mataram-se em momentos que a vida não mais lhes oferecia perspectivas. Um pela perda do poder e a desmoralização, que o afastamento do cargo acarretaria. O outro porque chegara a um ponto da vida em que tudo que gostava e prezava se havia ido.
O outro suicida, Leopoldo Lugones, um dos maiores escritores argentinos, além de poeta, orador, narrador, crítico, historiador, lexicógrafo, helenista e tradutor, embora pouco conhecido para a grande massa, já dizia, muitos anos antes de sua morte:
"Dueño el hombre de su vida lo es tambiém de su muerte".
Ou seja, é possível que alguém, mesmo não doente, possa fazer a escolha filosófica de deixar de viver, embora isto contrarie inúmeros códicies.

BRIGA EM SANT'ANNA DO LIVRAMENTO

Caríssimos!
Este cuento não é meu e não é novo. Conheço-o de muitos anos. Meu mérito, se é que tenho algum neste caso, foi pinçá-lo, passar para o papel e colocá-lo aqui no Blog. Não conheço o autor, mas suspeito que seja fruto de uma criação coletiva do pessoal lá de Livramento.
Como fez muito sucesso entre os amigos para quem enviei, coloco-o a disposição de vocês.

O começo da briga, lá pros lado
de Sant'Anna do Livramento.
O Delegado fala ao depoente:
- O senhor foi intimado para depor sobre a violenta briga acontecida ontem no seu armazém lá no interior de Livramento.
- Cinco mortos, oito feridos, uma barbaridade...
- No meu bolicho, seu delegado. Quem sou eu para ter armazém? Armazém é do turco Salim, que foi mascate.
-Por sinal que...
- Não desvie do assunto. Como e porque começou a briga?
- Bueno, pos então, historiemo a coisa.
-Domingo, como o senhor sabe, o meu bolicho fica de gente que nem corvo em carniça de vaca atolada.
- O doutor entende: Peonada no más, loucos por um trago, por uma charla sobre china. A minha canha é da pura, não batizo com água de poço como o turco Salim.
- Que por sinal...
- Continue, continue, deixe o turco em paz.
- Pos então bamo reto que nem goela de joão-grande. Tavam uns trinta home tomando umas que outras, uns mascando salame pra enganar o bucho, quando chegou o Taio Feio.
- O senhor sabe, o índio é mais metido que dedo em nariz de piá, deu um planchaço de adaga no balcão e perguntou se havia home no bolicho.
- Todo mundo coçou as bolas. Home tem bola, o senhor sabe.
- O Lautério - que não é flor de cheirar com pouca venta - disse que era com ele mesmo, deu de mão numa tranca e rachou a cabeça do Taio Feio.
- Um contraparente do Taio Feio não gostou do brinquedo e sentou a argola do mango no Lautério.
- Pegou no olho - lá nele - e o Lautério saiu ganiçando como cusco que levou água fervendo pelo lombo.
- Um amigo do Lautério se botou no contraparente do Taio - que já tava batendo a perninha - e enfiou palmo e meio de ferro branco no sovaco do cujo, que lhe chamam Pé de Sarna.
- Um irmão do Sarna, chateado com aquilo, pegou um peso de cinco quilos da balança e achatou a cabeça do homem que faqueou o Sarna. Os óio saltaram, seu doutor.
- E eu só olhando, achando tudo aquilo um tempo perdido.
- Um primo do homem do ferro branco rebuscou um machado no galpão e golpeou o irmão do Sarna.
- Errou a cabeça, só conseguiu atorar o braço do vivente.
- Aí eu fui ficando nervoso, puxei meu berro pro mole da barriga, pronto pra um quero.
- Meu bolicho é casa de respeito, seu delegado, e a brincadeira já tava ficando pesada.
- Mas bueno, foi entonces que o Miguelão se alevantou do banco, palmeou uma carneadeira, chegou por trás do homem do machado, pé que te pé, grudou ele pelas melena e degolou o vivente num talho, a coisa mais linda. O sangue jorrou longe como mijada de cuiúdo.
- Aí eu e mais uns outros - tudo home de respeito - se arrevoltemo com aquilo.
- Brinquedo tem hora, o senhor não acha?
- Acho, sim. Mas e ai?
- Pois, como lhe disse, nós se arrevoltemo. Saquemo os talher.
- E foi aí que começou a briga...

MACUNAÍMA & JEFFERSON

Quando Mario de Andrade criou Macunaíma, o herói sem jaça, certamente foi um visionário, capaz de enxergar Roberto Jefferson, 80 anos depois. Num país em que todos sonham com heróis idealizados, impolutos, Mario cria uma personagem que tem todos os defeitos do mundo, e pode ser um herói.
Vendo, hoje, o Roberto Jefferson no jornal, fico a me perguntar. Não será ele um Macunaíma?
O dito corrupto que denuncia os outros ditos corruptos (Como vêem tenho de me cuidar na fraseologia para não correr o risco de ser processado.).
E, como somos um país de Macunaímas, tirando algumas atitudes para fazer de conta que alguma atitude foi tomada, tudo continua como d'antes no quartel d'Abrantes.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

QUANDO RECEBEMOS UM FORA

Dia deste eu estava numa roda quando uma das mulheres falando de uma amiga disse:
- Ela tá pronta para separar e ele nem percebe que o mundo matrimonial deles ruiu!!! Ele foi fazer terapia só por que ela sugiriu e ele acha que é ser maduro fazer terapia!
Fico pensando nesta característica de nós homens. As mulheres ficam nos dizendo que a coisa não está bem, que estão pensando em se separar e nós homens, que nem uns babacas, pensamos que aquilo é só um desabafo.
Aí, quando elas um dia tomam uma atitude, nós nos sentimos pegos de surpresa. Parece que a coisa aconteceu de repente.
Só muito tempo depois é que as fichas começam a cair e nos damos conta da evolução que ocorria debaixo de nossos olhos e nos não víamos.
Porque será que isto ocorre?
Nós, os queridinhos das mamães, tão lindos e maravilhosos, não acreditamos que uma mulher possa encher o saco de nós?
Ou as cremos tão frágeis, ou dependentes, ou delicadas, ou ..., que jamais seriam capazes de tomar uma decisão como a de nos deixar?
Ou será que existe em nossos gens alguma coisa que nos diz, enganosamente, que só os homens podem interromper uma relação?

quarta-feira, 25 de abril de 2007

O INFERNO

O Inferno não um lugar terrível; é um lugar em que se fazem coisas terríveis. Esta frase não é minha, como a maior parte das frases e idéias não são minhas, são do mundo e Eu, num comunismo absoluto, acho que tudo do mundo é meu, embora meu Ego não aceite o inverso.

Dia destes acordei no quarto totalmente escuro. Abrir, ou não, os olhos não fazia a mínima diferença. Não fosse a tal Lei da Gravidade e eu poderia pensar que vagava num imenso vácuo. Num vazio atroz. Atroz porque eu o fazia assim. Ele era somente um Nada Absoluto.
Penso que o Inferno, se existir, deve ser um imenso deserto negro e imaginário que nós iremos preencher com o que levarmos na alma.
Se alguém acha que estou esotérico demais, me serve de consolo saber que durante alguns séculos homens, ditos eruditos, gastaram suas vidas a discutir se o Inferno seria quente ou frio. A idéia de que seria frio predominou. Mas a iconografia julgou mais interessante um Inferno quente, cheio de chamas.
Com isto fico pensando que a minha concepção de Inferno não deverá vingar. Não tem um design adequado, falta-lhe uma aparência fashion. Vou consultar a minha mulher, que é arquiteta, e especialista em cores, para eu saber o que posso fazer para vender esta idéia melhor.

QUERO MAIS

Muitas vezes a gente se pega perguntando, por que Fulano fez isto, ou aquilo, se tanto já tinha.

A resposta me parece simples. A AMBIÇÃO HUMANA, uma vez livre das regras éticas, ou morais, ou se tiver um objetivo que a justifique é infinita.

(Se a figura não estiver nítida dê um clique em cima dela.)

terça-feira, 24 de abril de 2007

Mas afinal, quem, ou que, é Deus?

Quando vejo algumas pessoas discutindo religião sempre me lembro deste dialogo do Gato do Rabino.O non sense sempre impera.


Os Loucos do dia a dia nos dai hoje ...

Istava eu aqui a pensaire em alguns dos líderes deste nosso mundão.
Hitler, Mussolini, Stalin, Mao, Fidel, Pinochet, A Junta Militar Argentina, alguns nacionais que não ouso mencionar, para não melindrar almas e mentes e, muito menos, receber um processo nas costas.
Não subiram ao poder por acaso. Não o fizeram sozinhos.
DE QUE BANDO DE LOUCOS ESTAMOS CERCADOS.
QUE SÚCIA DE INSANOS DEVEMOS SER!

Hay que hoderse a los precios de Casa Castro!

O SUICÍDIO II

A idéia de SUICÍDIO como pecado era útil. O indivíduo era ameaçado com um castigo que ele não poderia avaliar. Portanto, só lhe restava como alternativa submeter-se àqueles que ditavam as normas, religiosas e morais. Não esqueçamos que o poder, dito temporal, era exercido por aqueles tidos como semi-deuses, ou representantes dos deuses, ou por estes designados.
Mas, em alguns momentos, o suicídio era necessário para os donos do poder. Portanto, cabia aqui a criação de exceções. Heróis, como Sansão. Mártires, como símbolos de um poder a ser exaltado. Deixemos claro que, quando o sujeito se matava CONTRA O PODER, caber-lhe-ia a designação de louco, fanático, endemoniado, etc. e tal. Como tal seria castigado e, para reforçar a proibição, sua família também.
A perda de força das religiões, ou da própria noção de Deus, trouxe a necessidade de novas idéias para o controle do poder do indivíduo sobre a própria existência. Através da Medicina surge a idéia do SUICÍDIO como DOENÇA.
O SUICIDA teria de carregar o estigma de doente. Sua família carregaria o peso de ter alguém irremediavel e gravemente enfermo. Mas, mesmo com estas restrições, tinha-se de criar exceções. O suicida poderia ser útil para uma ideologia, por exemplo. Surgiam situações vivenciais em que o matar-se encontrava uma justificativa lógica. Situações de sofrimento imenso, sem perspectivas de melhora, a não ser por magia.
As ideologias e as morais passaram a exigir que em alguns momentos se aceitasse um suicídio como algo digno, necessário, inevitável até. Chegou-se quase a criar regras a este respeito.
Não estou aqui a levantar a idéia de que um suicídio seja algo sadio. Apenas acho que temos agora que entender que nem sempre uma morte auto-infringida é uma prova de doença mental.
As vezes é apenas uma opção pobre de quem praticamente não tem outras opções.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

O SUICÍDIO

Sempre que começo a escrever neste meu Blog lembro da rádio Belgrano de Buenos Aires da minha juventude que, na sua típica humildade portenha, assim se anunciava. "Radio Belgrano, Capital Federal, hablando para el Mundooooo". Ou então de uma outra: "Radio el Mundo, chiquitita pero cumplidora".
Ou seja, me dou conta que meu Ego oscila entre a pura grandiosidade e o pseudo humilde, mas equilibrando-se para tentar não cair no ridículo.
Sim, meus caros dois ou três leitores, que me prestigiam com sua leitura. Pretendo abordar o assunto SUICÍDIO; que sei ser um assunto momentoso e tormentoso.
Assim sendo, passemos ao que interessa. Mãos à obra. Ou, como se diria lá na fronteira com o Uruguai onde nasci. No já se bamo, já se fumo.
No início o suicídio era uma forma de morte como tantas outras há.
Mais tarde as chamadas Fôrças Constituídas se deram conta que, deixar um indivíduo poder decidir sobre a sua vida, era uma afronta às estruturas que, embora Humanas, eram para ser vistas como Sobre-Humanas.
Deus, a Religião, o Estado é que deveriam determinar as regras que pautariam a vida do indivíduo, do nascimento à morte. Quanto menos poder o indivíduo tivesse sobre a própria Vida, mais fortes seriam percebidas aquelas Instituições.
O SUICÍDIO passa a ser um PECADO.
Continua no próximo capítulo.

terça-feira, 17 de abril de 2007

MORTE, SUICÍDIO, ASSASSINATO

Vinha pensando em escrever algumas coisas sobre suicídio, quando soube de dois adolescentes, de classe média alta, que morreram aqui em Porto Alegre de uma maneira que faz pensar em suicídio e depois do franco atirador que matou mais de trinta nos EUA e depois se suicidou.
Nestes três casos me chamou a atenção a quantidade de ódio que estas pessoas estavam carregando. Não acredito que todo suicídio seja por conta de ansiedade, desespero, sado-masoquismo e outras coisas de igual jaez. Acho que, as vezes, alguém, mais velho, doente, pode suicidar-se simplesmente pelo fato de que a vida não lhe é mais saborosa. Mas, nos casos supra citados, o ódio latente é incontestável.
No caso do americano lamento que alguns não saibam morrer sozinhos. Nos nossos, lamento que tenham que morrer de uma maneira que acaba gerando culpa nos desavisados.
Mas a doença mental é assim mesmo...

segunda-feira, 16 de abril de 2007

O ESCÂNDALO ...

...nosso de cada dia, nos dai hoje, per omnia seculum seculorum.
Recebi alguns dados sobre o escândalo da INFRAERO. Não vou repeti-los pois já devem ter visto pelos jornais que eles são bem grandes.
Me pergunto: Será que está doença que acomete nosso país não tem cura?
Se tiver. Será que nós ainda vamos ver o paciente curado, ou pelo menos saudável?
Quando numa outra operação juízes, desembargadores, delegados são presos, por atividades criminosas que eles acobertavam, ou mesmo realizavam, e a OAB se mostra preocupada com o direito de defesa dos acusados. Quando deveria se preocupar com isto e mais um monte de coisas.
Fico me perguntando? Tem solução?
Não espero um mundo ideal. Não espero um mundo perfeito. Espero um mundo em que os meus filhos possam crescer, se desenvolver, que eu possa ter a esperança de uma velhice digna, que eu possa de novo sair a noite e olhar as estrelas, sem ter de ficar perscrutrando cada nicho de escuridão de onde pode emergir um perigo.
Verei eu este mundo?
Carrion, o cético perquiridor.

domingo, 15 de abril de 2007

Sobre Deus


Me pego freqüentemente pensando nesta entidade que chamamos de Deus. As respostas, que as religões me dão, costumam não me satisfazer. Principalmente aquelas ditas derivadas DO LIVRO. Acho-as muito incoerentes.
Como esta. Fomos criados ...
(Segue em próximos capítulos).

sábado, 14 de abril de 2007

INVEJA

A inveja é uma merda!
(Filosofia de parachoque de caminhão)
Não quero hoje falar da inveja. Da sua psicodinâmica, da sua economia psíquica, das suas razões. Mas do INVEJOSO.
Outro dia encontrei um conhecido meu, invejoso de longa data. Aqueles que a gente acaba se dando por decurso de prazo. Ou por que, se não vale como amigo, muito menos por inimigo.
Deixemos claro desde o início. Ele é invejoso com todo o mundo.
Já o vi com a mulher. Ele a inveja também. Ela deve ser uma masoquista. Para azar dela, em vez de ter o masoquismo na área sexual ( - Me bate, me chama de cadela, põe com força, sem lubrificação e outras cositas mas que ocupam o nosso imaginário erótico sexual.), acaba-o tendo em áreas menos pitorescas e prosaicas.
Após os cumprimentos de praxe a inveja começa a aflorar.
- E aí? Outro dia vi um artigo teu na ZH. Bem direitinho (Direitinho já é um jeito de começar a chamar qualquer coisa de medíocre.)! Mas já tinha visto aquela idéia em Fulano, em Beltrano, em Tal Situação, e por aí vai, mostrando que o que se escreveu não valeu os micro ampéres que o computador gastou.
- Mas tu tens que escrever mais enxutamente. Fica muito complexo! Mas tu tens que escrever de um modo mais sofisticado. Parece um guri no MSN!
Para ver se ganho uma folga pergunto se sabe alguma coisa de Livramento.
- Aquilo lá tá qué um rabo de cavalo. Só cresce pra baixo! Os cara ficam naquela de não fazer nada, esperando um milagre do céu e reclamando do governo! Como ele hoje é um aposentado que não faz nada, embora esteja física, e mentalmente nos trinques, e vive se queixando de falta de grana, seu comentário soa estranho. Principalmente por que ele faz a mesma coisa em relação a sua aposentadoria.
- Vi o Fulano, digo eu. Tá bem casado, com uma baita duma mulheraça!
- Deve ser corno! Ou ela pensa que ele tem muita grana! Ora se uma mulher daquelas ia se apaixonar logo por ele que tá que é um caco (Acho que o tal Fulano, fisicamente falando, está bem melhor que eu ou ele.)!
E por aí foi afora...
Ao lado da irritação que ele me causa, fica uma sensação de pena.
Pena porque foi um sujeito que, a vida inteira, nunca fez algo que o deixasse feliz. Estava tão preocupado com a felicidade alheia, com o sucesso dos outros, com o prazer que tiravam da vida, que pouca energia e tempo lhe sobravam para fazer algo de bom para a sua.
Com isto formou um círculo vicioso que, na prática, se mostrou inquebrável.
Não conheço um invejoso que não seja um amargurado, um frustrado, um fracassado, um infeliz. Seus raros momentos de prazer, breves, fugazes, só ocorrem na hora do fracasso de outrem. Como num destes filmes de terror ou de forças malignas. São esgares, até brilhantes, mas de duração ínfima, como os da explosão de fogos de artifício. Depois deles fica, para o invejoso, apenas o silêncio e a escuridão.

Políticos e Crianças

Frente a alguns acontecimentos políticos, o modo como os atores destas peças se comportaram, não deixei de pensar em crianças.
Se não vejamos:
Lá estamos nós, felizes da vida, num aniversário de crianças. Comendo uns negrinhos, uns cachorrinhos quentes, feitos com pão doce (Não sei quem foi a besta que bolou isto, pão doce no cachorro quente! Minha alma castelhana e pampeira estremece só em pensar nesta combinação calhorda. Salsicha, mostarda, e pão doce. Fora a outra invenção que é o molho de tomate, a guiza de mostarda.), tomando refrigerante ou cerveja, levemente resfriada, quando já não morna, em copos de papel e ... A GRITARIA.
Mãe!! Olha eu aqui! Olha como eu faço.
Mãe o fulano tá fazendo tal coisa!
Tia! Tia! Os guris tão fazendo isto ou aquilo!
Numa única vez vi uma dizendo uma coisa sensata: "Tia Dulce o P.... qué fazê bagacerice comigo!" E alguém cortou o barato do guri! (Homem não presta! Desde pequeninho só pensam em sexo!)
Abstraiamos um pouco.
Nós somos as vítimas espectadoras.
Os políticos são as crianças.
O povo são as mães e tias.
Eles não passam todo o tempo se implicando uns com os outros?
Eles não fazem um alarde enorme do que estão fazendo?
Eles não estão a toda hora pedindo atenção?
Eles não passam todo o tempo dizendo que os outros estão fazendo algo de errado?
Eles não se sentem sempre injustiçados?
Eles não se auto desculpam sempre?
Eles nunca erram! Os outros é que erram, ou são responsáveis pelos erros que eles, políticos, cometeram? Em último caso, mas só em último caso, confessam que erraram, mas no meio de uma multidão!
Fazem tudo em nome dos outros, para os outros, mas sempre fugindo da ideia de que são beneficiários, em geral, os grande beneficíarios! Como as crianças que tentam nos seduzir para fazer algo do interesse delas, mas acenando benefícios mis para nós.
Começo a desconfiar que a grande, se não a imensa maioria, dos políticos são seres humanos que em alguns aspectos não amadureceram.
Posso estar enganado, não sou infalível, nem Deus (Mas ainda chego lá!), mas cada vez mais me convenço disto.
Alguém discorda?

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Às Mulheres Fãs do Chico Buarque

Meninas que tiveram ataques, frenesis, ficaram fora de sí no show dele, aproveitem. Eu já cumprimentei e abracei o Chico. Portanto quem me pegar da mão, ou me abraçar estará tocando no Chico por tabela. Oportunidade única! Imperdível!
(Deborazinha minha amada, isto é brincadeirinha. Humor! Humor!)

terça-feira, 10 de abril de 2007

PROTESTO!



Numa pequena viagem a Rio Grande constatei um fato que gostaria de compartilhar com vocês. O preço dos pedágios nesta estrada.
Não que eu seja contra os pedágios, bem pelo contrário. O problema deste pedágio é que seu custo me parece totalmente desproporcional ao benefício.
Até o entroncamento Rio Grande-Chuí se gasta, se não me enganei, uns R$36,00, para um carro de passeio. Um caminhão gasta bem, mas bem mais.
O que é oferecido.
A sinalização está muito boa.
O asfalto está sem buracos, mas se percebe os remendos, tanto visualmente, quanto no som e vibrações da carroceria.
Aparentemente se tem ambulância e patrulhamento da estrada.
Em nenhum lugar, a julgar pelo valor cobrado, se vêem obras para ampliação da pista, ou da pista em alguns lugares, ou um estado excepcional da pista, o que justificaria o preço cobrado.
Os acostamentos e margens da estrada, embora em ordem, no que se poderia chamar de básico, não tem nenhum tipo de cuidado paisagístico, como soe ocorrer em estradas de outros países onde se cobra pedágio. Além do que nossa exuberante flora se manifesta sem maiores coerções.
Não reclamo do pedágio da freeway, por exemplo. Parece-me uma troca justa. Em relação a Gramado e Canela idem, idem. Mas pagar o que se paga para Pelotas e Rio Grande quase beira a desfaçatez.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

VIVER OU NÃO VIVER, EIS A QUESTÃO.

(Se necessário, clique em cima da imagem para amplia-la)
Se você acha que é melhor não arriscar.

Se você acha que você é moço(a) demais.

Se você acha que você é velha(o) demais.

Se você acha que é perigoso pensar.

Se você acha que é arriscado experimentar, tentar, inventar.

Se você sempre acha que é melhor os outros fazerem antes.

Se você sempre acha que no futuro, aí sím, vai dar para fazer isto ou aquilo.

Você corre o risco de ficar que nem a Mãe da Mafalda!




JUDAS

Este artigo foi publicado ontem, na Zero Hora. Por isto só agora ele pode entrar no Blog. Desculpem o atraso, mas é que a Zero tem muito mais leitores que o meu blog. Por enquanto...

Não sou um homem religioso. Isto me permite escrever como um observador.
Escrevo por me fascinarem as manifestações humanas ligadas ao esotérico, ao críptico, à fé. Procuro entender estas coisas ligadas ao imensurável, ao impalpável, mas não tive êxito, pelo menos até agora.
Agora se aproxima a Semana Santa. Para mim sempre foi um feriadão. Mas sei que para outros tem um significado transcendental. Um sentido metafísico que escapa a minha capacidade de entendimento.
Quando criança me era fácil entender a história da Paixão. Jesus pregava o bem, despertou com isto a inveja dos sacerdotes, que o intrigaram com o Procurador romano, que mandou prendê-lo, utilizando-se para isto da traição de Judas. Simples de ser entendido como um filme de cow-boy da década de 30.
Mas os anos passaram, as censuras caíram, a capacidade de raciocinar aumentou. Vieram os Fellinis, Viscontis, Kubricks, Kurosawas e tantos mais; a visão do mundo ficou muito mais pluralista, complexa e rica. Também ler os Textos Sagrados evoluiu na mesma linha, embora muitos prefiram manter-se pobres de espírito, afastando-se de polêmicas e dúvidas.
Portanto, ao lê-las, algumas idéias flutuaram na minha mente. Repasso-as.
O ato de Judas é absolutamente dispensável. Para que precisavam os romanos, ou a classe sacerdotal, de que alguém O identificasse, se Ele, Jesus, pregava publicamente em Jerusalém (Que era do tamanho de uma cidade pequena/média do nosso hinterland.), ou fazia milagres na presença de milhares de pessoas?
Como se desse muito trabalho para identificar, digamos, um Romário, um Ronaldinho. Precisar-se-ia de um Judas para apontar ás autoridades. “Este é o Romário!”?
Admitir na Paixão e na Ressurreição, a figura do acaso chega a ser quase insuportável. Cristo vir a terra e encontrar o traidor Judas por, digamos, azar, é acreditar piamente num Deus sem controle nenhum do universo, o que se choca com a idéia da Onipotência e Onisciência. É bem mais crível a idéia de que todos os personagens da Redenção tinham seus papéis bem delineados. Sob este aspecto, a traição de Judas é um ato divino, um elemento decisivo para que pudesse ocorrer a crucificação e, com ela, a Redenção da Humanidade.
Convenhamos também que Deus não necessitava encenar pantomima nenhuma para se revelar. Assim já o havia feito com Abraão e, posteriormente, com Moisés.
Outro fato interessante é que a imagem de Judas vai piorando à medida que os evangelhos foram sendo escritos. No primeiro deles, escrito quase 60 anos depois da morte do Salvador, sua vilania não é tão grande quanto a que apresenta no evangelho de João, que foi o último aceito pela Igreja. Além disto temos os evangelhos apócrifos, que foram deixados de lado, nos primeiros concílios, porque não diziam o que os homens da Igreja queriam que dissessem, mostrando estes evangelhos divergências doutrinárias importantes, a respeito da Santíssima Trindade, Jesus como homem e/ou Deus, o papel da Igreja e por aí afora.
Além disto, que língua falava Jesus? Provavelmente aramaico, numa versão antiga e regional. Ora, do que Jesus fala a Judas durante a Última Ceia só ficaram lembranças, transmitidas oralmente aos ausentes e aos pósteros, por personagens que, nesta mesma Última Ceia, haviam querelado pelos lugares na mesa. Seriam estes isentos para guardar ipsis litteris, as palavras do diálogo? E se o foram, seriam fiéis depositários da verdade aqueles que as transliteraram do aramaico para o grego copta, deste para o grego antigo e dai para o latim? Traduttore traditore! Mesmo os Evangelhos Canônicos apresentam divergências importantes. O que os fez diferentes? A língua? Os interesses mesquinhos dos homens? O desejo de ser mais realista que o rei?
Foram homens, longe do tempo em que os fatos ocorreram, que decidiram que seria assim, ou assado, e nunca por unanimidade. As versões que apresentavam Judas num outro papel, que não o consagrado hoje, foram rejeitadas. Muitas vezes sendo perseguidos os que, não acreditando na História Oficial, preferiam crer em outras alternativas.
Em verdade, acreditar na História Oficial é apenas uma questão de fé. E fé não é para ser discutida. Ou se a tem, ou não. Isto faz com que o papel de Judas possa ter sido totalmente diferente daquele que nós é contado.
Mas nós, humildes ovelhas do redil da Santa Madre Igreja, precisamos de um vilão, que é castigado por suas felonias. Só assim saberemos o que é certo e o que é errado. Para sabermos o que ocorre àqueles que não se comportam bem.
Além do que é bom que malhemos Judas, assim não necessitamos malhar a nós mesmos por nossas imperfeições. Seu erro justifica os nossos. Nossos pecados são ínfimos, comparados ao atribuído a ele.

Carlos Eduardo Carrion

março de 07








quarta-feira, 4 de abril de 2007

SOBRE A PASSAGEM DO TEMPO


Outro dia escrevi como eu sentia o passar dos anos, principalmente nos meus aniversários.
Pois não é que dando uma relida na Mafalda encontrei esta tira?
Só para complementar, o Quino, o Millor, são gênios; por conta da capacidade em expressar, com simples traços, ou textos, o que muitos precisam de laudas e laudas para conseguir.

Passando nós, os anos, a vida


Quantas e quantas vezes este dilema apareceu na minha frente, na minha vida profissional.
Esta postura do deixar a vida passar acreditando que lá na frente, aí sim, a gente vai poder viver sem os perigos de hoje, me parece um dos cânceres da alma.

A GREVE DOS CONTROLADORES

Poderia ter um ataque de grandeza, como já vi alguns cronistas e articulista terem, e dizer:
FINALMENTE ME OUVIRAM!
Livremo-nos de um Novo 64!

Ainda o Henry Sobel

Este artigo não é meu. Mas está muito bem escrito e reflete muito o que eu penso sobre o assunto.
Além do que o Paulo é uma figura fantástica que tem de ser mais conhecida.

SOBEL
Paulo Wainberg
Advogado e Escritor


SE forem verdadeiras as acusações contra Sobel, de furto de gravatas nos Estados Unidos, cabe à Comunidade uma reflexão sobre o Homem, sua natureza, qualidades e defeitos.
Sobel é um Rabino, portanto sem ares divinatórios, poderes sobre o Bem e o Mal, nem mais nem menos um Homem.
Sob essa condição humana inseriu-se na sociedade brasileira com tamanha qualidade que tornou-se um orgulho brasileiro em geral e judaico em particular.
Homem de vanguarda, tomou a linha de frente em todas as questões fundamentais, é um defensor intransigente da Ética, da liberdade, do respeito à lei, tornou-se um “ser público” através de suas manifestações em defesa dos direitos humanos e contra as desigualdades sociais.
Homem de refinada cultura, vale-se de seus conhecimentos profundos sobre religião e filosofia, além de aguçada inteligência, para marcar posições definidas sobre as questões humanas que extrapolam os limites do judaísmo e sua comunidade e que, em sua universalidade, contribuem para o crescimento individual e coletivo, o auto-conhecimento e uma melhor compreensão sobre as qualidades próprias da existência.
O lado privado deste “ser público” foi subitamente fulminado por uma suposta conduta criminosa que, em tese, contradiz a totalidade da trajetória do Rabino Sobel.
Como pode este homem que tanto lutou pela decência e pela ética, ser um ladrão de lojas?
Com que autoridade vinha ele nos falar em Justiça, em igualdade, em espírito da lei humana e divina, não passando ele mesmo de um reles ladrãozinho de gravatas?
A perplexidade que nos acometeu, judeus e não judeus, procede, tem fundamento, mais uma vez nossa crença na virtude humana foi e está sendo profundamente abalada.
A questão é: vamos resolver nosso impacto pessoal e coletivo pelo meio mais fácil ou optaremos pelo caminho da reflexão e da real gradação dos valores?
Porque o meio mais fácil consiste na execração de Sobel, consiste em deixar fluir nossa indignação, ou inveja, ou rancor, ou cinismo ou, com certeza, hipocrisia. É fácil dizer que Sobel nos traiu, enganou a todos que nele confiaram, que fomos iludidos durante 35 anos por um individuo de caráter duvidoso, cheio de defeitos e idiossincrasias que, por todo esse tempo, falou em nosso nome e expressou nossas principais angústias.
Ou então – e esse me parecer o caminho mais justo – vamos compreender que Sobel, pela obra que já produziu, é muito maior do que o episódio aparentemente sórdido em que se envolveu, a revelar uma fraqueza tão humana que só os seres humanos possuem.
Creio, sem jamais ter visto Sobel pessoalmente mas acompanhando sua trajetória naquilo em que ela foi pública, que a condição humanista do Rabino Sobel vai além dos limites da sua mera humanidade, supera de longe o equívoco que teria praticado, levado por irresistível compulsão gerada por doença psíquica.
O Humanista transcende o Humano. Ao Rabino Sobel devemos muito, é o que ele fez que entrará para a História. Ao Sobel, devemos respeito, compreensão e ajuda.

terça-feira, 3 de abril de 2007

Um PS

Para ver os quadrinhos do Miguelito talvez seja necessário dar um click em cima deles, para serem ampliados e tornarem-se perfeitamente legíveis.

MARADONA E EU

CHEGUEI ANTES DELE!
TE CUIDA PELÉ!!!

MIGUELITO Y YO


Quantas vezes Miguelito fui.
Quantas ainda serei?
Quantos Miguelitos vejo por aí!

segunda-feira, 2 de abril de 2007

EU e o ROMÁRIO

Estou que nem o Romário, ele esperando o gol 1000 e eu o visitante 500.
Quem vencerá? Quem viver verá!

A HISTÓRIA VAI SE REPETIR?

"Los que no llegan a conocer el pasado están condenados a repetirlo" SANTAYANA

Em março de 1964 eu estava na casa de um colega, filho de um oficial do exército, com mais uns amigos. Estava dando, não lembro direito, se o Reporter Esso, ou o Reporter Renner. Falava de uma sedição de sargentos, ou marinheiros, e uma interferência do Jango em prol dos rebelados. O major, que escutava tudo calado, falou: - O Jango caiu, fez o único que não podia fazer! Mexer na hierarquia e na disciplina! (Não interessa se isto é certo ou errado. É assim!)
Dia 31 de março (pros pró revolução), ou 1º de abril (pros contra), iniciou-se o longo período de tutela militar (Viram que eu já sei me colocar no politicamente correto do Brasil, ou seja, em cima do muro?).
Agora o Lula faz a mesma coisa e os altos escalões militares também.
Naqueles anos o Brasil era refém dos Portuarios de Santos. Agora dos Controladores de Vôo, dos Fiscais da Receita (Paralisando importações e exportações.). Para completar a Polícia Federal ameaça com greve.
Vamos repetir tudo de novo?
Ou o nosso caos administrativo e esta pujante corrupção vão nos levar em direção à uma convulsão popular de rumos imprevisíveis?
Será que ninguém, "lá de cima", aprendeu coisa alguma?

domingo, 1 de abril de 2007

HENRY SOBEL



Pelo fato de ser psiquiatra não faltou quem me perguntasse o que é que eu achava sobre o que tinha ocorrido com o rabino.
Em outras fases da minha vida eu não teria a menor dúvida de dar um monte de explicações científicas (hoje penso, pelas razões que explicarei, que seriam explicações pseudocientíficas) sobre o ocorrido.
Hoje sou obrigado a dizer que não sei o que houve, e que todas as hipóteses são plausíveis.
· Trata-se de um simples caso de furto. O cara sentiu que dava para sair com uma gravata de griffe por custo zero e enganou-se.
· É um caso de cleptomania, que no caso acho, estatisticamente, improvável, dificilmente um cleptomaníaco só é pego ao 62 anos.
· Obnubilados alguns aspectos da consciência, pelo uso de medicações para o sono, o sujeito passa a agir mais instintivamente, mais predativamente, com a censura, e as forças repressoras do Ego, diminuídas.
· Como ele é um representante religioso importante, um dialogador nas relações entre as diversas religiões, podem, alguns radicais, haver armado alguma para ele.Acho hoje que as hipóteses humanas são tão numerosas, tão complexas, que dar uma opinião definitiva, catedrática, sobre um determinado episódio, de posse de poucos dados, uma temeridade, ou um exercício de onipotência. Além de ser sempre difícil a gente se dar conta que não sabe e que não pode explicar.

INDULGÊNCIA

IMPUNIDADE, COMPLACÊNCIA, CONDESCENDÊNCIA, TRANSIGÊNCIA

Ou nos locupletamos todos ou restaure-se a moralidade.
(Aparício Torelly, o Barão de Itararé - batalha que não houve).


Um amigo pega um carroceiro em seu pátio tentando arrancar a bancada de sua pia de churrasco. Manda parar, que vai chamar a polícia, o outro sai devagar, dizendo-lhe.
- Pode chamar, não vai acontecer nada mesmo.
Um outro pega um ladrão dentro de seu carro, depois de haver quebrado o vidro, já com o rádio na mão. Armado (Ou seja, meu amigo é um transgressor perigoso.), aponta para o meliante que tranqüilamente lhe diz.
- Ô chefe, se atirar vai ter um monte de neguinho querendo a sua pele, além de se incomodar com pulícia. Se me entregar pra polícia logo, logo, eu tô na rua e venho lhe incomodar. Me deixa em paz! Eu saio sem o rádio e tu não te incomoda. já sei que o bacana tem seguro.
Dito isto saiu a passo
Está para ser votada uma lei que determina que prefeitos devem ser julgados pelos Tribunais de Justiça do Estado, Governadores pelo STJ e o Presidente e seus ministros pelo Supremo (Que estão com suas mesas abarrotadas de trabalho).
Ou seja, só veremos um político corrupto, ou simplesmente ladrão, atrás das grades nas calendas gregas.
Agora, o Papagaio, que é assaltante de carros fortes, que é responsável direto e indireto por várias mortes, que parece ter o dinheiro de vários assaltos ainda em seu poder, que já fugiu da cadeia mais de uma vez, vai para o regime semi-aberto, do qual já escapuliu. E vai para o regime semi-aberto, que é uma moleza para por sebo nas canelas, escafeder-se, azular, com 1/6 da pena cumprida.
Aí me pergunto:
Porque não mexer na Constituição, e no Código Penal, para que o apenado tenha de trabalhar?
Que possa usufruir os regimes semi-abertos e etc. só quando faltarem dois anos para o final de sua pena.
Que as fugas sejam punidas como resistência à lei, à pena aplicada.
Que nossas leis não sejam para o primeiro mundo. Sejam para o nosso mundo.
Que se mude, o que tiver que mudar, para que esta quantidade de recursos e subterfúgios que enlentecem, fazem caducar os processos, deixem de existir.
Não estou pregando que criminosos sejam pendurados pelos pés e mergulhados em caldeirões de enxofre. Quero apenas me livrar das grades, poder caminhar a noite, não ficar temendo quando meus filhos saem, poder estacionar um carro sem tanto receio de não encontrá-lo na volta.
Enquanto não se conseguem recursos para presídios de primeiro mundo, que se construam presídios mais simples, menos sofisticados.
Não preciso me locupletar, nem viver num mundo moralístico. Quero apenas poder viver com mais liberdade.